1993 vezes com o Palmeiras

1993 vezes com o Palmeiras

Foto: Futebol de Campo.net

Quando a segunda divisão chegou, a gente ficou sem chão, com raiva do mundo, com ódio do futebol, mas maldito seja o amor que corre nas nossas veias e que nos faz, dia a dia, seguir gastando mundos, fundos, tempos, dias, madrugadas, paciências, desgastes e corações por esse sentimento. O que a gente sente, acima de tudo, é amor.

Não é violência, não é truculência, não é intimidação. Já foi vaia, já foi protesto, faixa, cântico, mas sempre foi no limite do razoável. Coisa de quem sofre e precisa explanar. Aquele momento em que o coração se atrapalha nas próprias pernas e acha que só fingindo terror será capaz de reencontrar o amor. Sempre foi um erro, mas nunca foi morte. Nem será. Nem que pra isso precisemos dizer 1993 que estamos todos com você, Palmeiras.

Não se deixe levar pelo medo. O Palmeiras é do Sêo Ademir, de olhar sereno e de palavra carinhosa, é do capitão Sampaio de postura raivosa, mas de uma sensibilidade humana ímpar. É de São Marcos que era sobre-humano debaixo das traves, mas que leva o prefixo sagrado e não é por acaso. É de Luís Felipe que abraça seus jogadores mesmo quando tudo vai mal. Que lidera pelo afeto. Que finge o nervoso porque custa admitir que conduz com amor.

Palmeiras de macarronada, vinho, discussões elevadas e abraços fraternais. De celebração, de samba, de dança, de comando. De postura, de presidência, de austeridade e de foco. Respeita o dinheiro, mas idolatra o ser humano. Fez estátua para quem deu o sangue pelas cores. Celebra para todo o sempre quem fez frente ao mundo para defender a sociedade. Sabe quem é, mesmo que seja momentaneamente representado por quem nem sabe onde está.

O Palmeiras não é meia dúzia de violência ou de conveniência. É a torcida que faz o coração do estádio, sim, e que não se faz entender por aqueles que querem mortificar o futebol que os move. Tampouco a gravata que não fala, literalmente, pelo maior campeão desse país. A gente fala, a gente sente, a gente escreve linhas tortas em apoio, em carinho e em amor ao MEU Palmeiras.

Pra vitória.

  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.