8 de Novembro de 2009. A confissão imperdoável

8 de Novembro de 2009. A confissão imperdoável

Me lembro como se fosse hoje. Um domingo de sol, no auge dos meus 18 anos. Ainda no início da minha faculdade de jornalismo. Teria que prestar o ENADE naquela ansiosa manhã. Uma prova que serve para medir o desempenho dos estudantes e das universidades.

Pouco “importante” pra minha pessoa naquele dia. Fiz a prova correndo, pois o que estava em jogo naquela tarde de um velho Maracanã lotado, era o que realmente importava nessa jovem e inconsequente cabeça.

Prova feita, direto pro bar acompanhar a 34ª rodada do Brasileirão. De um lado o Fluminense de Cuca brigando para não cair, do outro o Palmeiras de Muricy lutando pelo título brasileiro.

Em certo momento do primeiro tempo, Figuerôa cruza na área do Flu e Obina marca o primeiro do Palmeiras. O árbitro Carlos Eugênio Simon marca uma falta em que só ele viu e anula o gol do Palmeiras.

Um lance que mudou a vida de tantos palmeirenses espalhados pelo Brasil, e também de Curitibanos que no final do ano seriam rebaixados no lugar do Fluminense, que venceu o Palmeiras por 1 a 0 com gol de Fred.

9 anos depois, o hoje comentarista da FOX Sports, Carlos Eugênio Simon, assumiu para Obina ao vivo que errou no lance, e que apitou “falta” somente para compensar um erro cometido segundos antes. (Era tiro de meta para o Flu e não escanteio para o Palmeiras.)

6 anos antes, o próprio Simon havia dito em uma transmissão de um jogo do Palmeiras pela Fox, que Obina havia admitido ter feito falta no lance. Fato que revoltou Palmeirenses e o ex-atacante. Simon ganhou diversas ações na justiça por causa do lance na época.

Naquela tarde, eu ainda adolescente, com um sonho de se tornar jornalista esportivo, já perdia um pouco do tesão e aumentava as minhas desconfianças sobre o nosso esporte bretão. O torcedor se desgasta psicologicamente, financeiramente, fisicamente e tem todas as suas angústias e esperanças deixadas na mão de uma só pessoa.

Simon era um dos árbitros brasileiros mais cotados para ir à Copa do Mundo da África de 2010 e aquele jogo envolvia muita coisa. Fica difícil de acreditar em diversos resultados que torcemos e vivemos nos últimos 20 anos por aqui. Não só contra o meu time. A favor também. Que fique bem claro.

É revoltante, triste. Mina a nossa paixão futebolística como uma flechada no peito.

Como disse o ex-árbitro e hoje comentarista da Espn, Sálvio Espíndola, enquanto a arbitragem no Brasil não ter um comando próprio e profissional, seguiremos sofrendo escândalos e mais escândalos.

Só daqui a 10 anos saberemos o que realmente aconteceu na final do Paulistão 2018.

Está mais do que na hora de clubes, anunciantes e patrocinadores exigirem um futebol mais justo, para todos. Todos os clubes já sofreram ou irão sofrer algo parecido com que o Palmeiras sofreu em 2009. Aqui não está em jogo a indignação seletiva. Está em jogo um futebol melhor para todos.

E que a falta de caráter e hombridade do Sr. Carlos Eugênio Simon faça com que ele nunca mais comente jogos do Palmeiras pela sua emissora. É o mínimo depois desse escárnio. Preserve o seu canal. Preserve a sua audiência, preserve o seu produto.

Achar a confissão debochada normal e no outro dia vociferar contra o amadorismo e a credibilidade do nosso futebol é muito incoerente. Empregar um cidadão desse e ficar discutindo sobre arbitragem 48h por dia também. É preciso ação, profissionalização e muito menos deboche.

Relembre o lance do gol de Obina em cima do Fluminense: 

  • Gabriel Amorim

    Gabriel Amorim

    Gabriel Amorim, 27 anos, detesta quem assiste ao jogo sentado e tem como grande ídolo Armando Nogueira. Formado em Jornalismo pela UMESP em 2012, cobriu a Copa do Mundo da Rússia pelo jornal Lance!