A melancolia que não sai de mim e a volta do Parmera

A melancolia que não sai de mim e a volta do Parmera

Domingos são sempre manhã de sol, acordes leves e tranquilos, café da manhã em família, bolo da avó, almoço da mãe, sobremesa da tia. Conversas fiadas dos vivos e saudades dos finados. Abraços, beijinhos e carinhos, João Gilberto na caixinha. Cochilo na rede, final de tarde de prece, noite da saudade. Pura preguiça.

Seria só tristeza e melancolia se fosse mais uma semana desse negócio de você viver sem mim, Verde. Não é, não, com a graça de San Gennaro que cumprimentou João na chegada dele ao céu, no sábado, e que agora volta seus esforços para a terra, de novo, para cuidar bem do nosso Parmera. Rapaz, mas que saudade d’o cê que eu tô, viu.

Chega de saudades. Vai, minha tristeza, e diz a ele que sem ele não dá pra viver, não. Diga, em prece, que ele volte logo. Sem condições de passar mais uma semana sem o bom humor, ou sem o mau humor, que ele causa. Nem que a dor de cabeça que já nem sabemos mais como é, volte. É muito mais fácil lidar com a dor de ter do que a melancolia da saudade.

Bim, bom, bim, bim, bom. Meu coração toca desalinhado com essa presença da falta. Às segundas de manhã andaram começando com o pensamento frio de “o que teremos essa semana?” e a resposta ecoa silêncio. Foram longas quatro dessas. Hoje, não. Acordar sabendo que “é quarta”, que tá chegado o dia de voltar pra casa, maloca querida, donde foi que nóis passemos dias bons, ruins, difíceis e gloriosos das nossas vidas, rapaz, é uma gostosura. Poesia. Palacete assobradado.

Tentamos suprir a falta com uma camiseta de outra cor, com o cobertor que tinha para aguentar o frio, mas deu não. Não é igual. Nem parecido. Nem um tiquinho assim. Nadica de nada. O Parmera é que aquece o coração, que dá dor de barriga, que tira o sono e que faz sonhar. Estação Palmeiras/Barra Funda, a Rua Palestra, a Matarazzo, o meu bar preferido, o pernil, as bandeiras. A pizza que é 10.

Chega de saudades, minha nacionalidade. O meu hino nacional do Meu Palmeiras. A minha casinha de concreto. Sem livro, sem documento, com coração e com sangue nos olhos, gelo nas veias. Decisão. Rojão. Festa. Bumbo. Cantoria. Bancada. O meu Scolarismo. O Nosso Palestra. Passou da hora.

É semana de Parmera.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.