Alex 10, 41

Escandaloso em seu silêncio, Alex foi dos mais alviverdes costumes de ser um dos nossos maiores. Estupidamente habilidoso, sabia que nem sempre era hora de usa-la. Dom especial demais para se banalizar em um joguinho qualquer. Gostava dos grandes momentos, dos mais intensos e agudos, tinha plena consciência em preservar em pote de ouro a brutalidade delicada de uma perna esquerda capaz de ter a América toda à ela.

Alex é absoluta concisão. Tática, técnica e principalmente intelectual. Demonstrava pouco aos espectadores, mas fazia terror nos leões. A feição concentrada e inequivoca de quem sempre foi obstinado pra vencer seguiu parceira leal ao longo dos clubes pelos quais jogou. A idolatria de um povo nunca foi problema para quem soube dividir, compartilhar. Passes, lançamentos, assistências, coração que abraça São Paulo, Minas, o país. A Turquia. Conquistou o mundo, ao seu modo, afinal, azar do Mundo que não o viu em seus jogos de Copa.

Nosso 10 que representa pura e sintomaticamente os padrões de classe.

Classe para falar, para agir, para interagir com tudo o que o futebol desafia um jogador a passar. Classe para desfilar talento em mata-matas sanguinários ou em um amistoso de despedida que encheu o carísismo estádio alviverde. Classe de quem nunca abriu mão de passar horas para retribuir em assinatura ou imagem os gritos e incentivos que vinham das arquibancadas. Classe para ser lembrado a cada primavera que chega nos ombros tão campeões.

Dia desses, Alex pediu desculpas pra nós. Bobagem.

O futebol é o mais cruel dos esportes no que diz respeito aos ídolos. Sentimento que se esvai na primeira grande falha. Os ídolos morrem quando as chuteiras viram museu de lembrança. Não faremos.

Alex, meu 10, nosso craque de talento majestoso capaz de destruir um time através de chapéu, de chapar na gaveta, de meter aquele gol fundamental e de nunca desrespeitar a camisa que veste. Pra você, o nosso parabéns pelo aniversário, nossa gartidão pelos momentos juntos e a nossa promessa mais sincera que essa torcida não vai se esquecer jamais de quem foi você.

O 10.

  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.