Ira da torcida, críticas de ídolos e acusações extra-campo - o turbilhão de Mattos no Palmeiras

Ira da torcida, críticas de ídolos e acusações extra-campo - o turbilhão de Mattos no Palmeiras

Dirigente que chegou ao clube com a onerosa missão de recuperar um clube às moscas e que rapidamente conquistou o respeito dos palmeirenses. A trajetória meteórica do executivo de futebol que se tornou popstar ao revirar o estagnado perfil conservador do Palmeiras para fazer dele um clube voraz no mercado de transferências, mas que, após três títulos nacionais, atinge em 2019 seu pico negativo no comando do futebol alviverde. Em meio à crise do elenco dentro de campo, Mattos é alvo definitivo da torcida pelas contratações contestavéis e também é acusado de negociatas além das quatro linhas.

A recusa na venda de Deyverson, a chegada de Carlos Eduardo por cerca de 25 milhões de reais, a contratação de Ramires, que veio sem condições físicas do futebol chinês, a chegada do desconhecido Felipe Pires, do futebol austríaco, por exemplo, são negócios frustrados de uma gestão que não encontrou o caminho em 2019. A queda de Luís Felipe Scolari nos momentos que sucederam uma coletiva de imprensa que parecia ser a declaração definitiva para a permanência do comandante do Deca. Teria sido Felipão um escudo para a direção de futebol que passava por contestações diante do mau desempenho em campo?

Foi esse, em princípio, o estopim de uma crise sem precedentes entre a organizada do Palmeiras, a Mancha Verde, contra o comandante executivo. Sob a alegação de "roubo", a torcida pede a saída do dirigente. As acusações que, até aqui, não foram levadas adiante com a apresentação de provas ao público, também falam de negócios envolvendo imovéis e o nome do dirigente. E foi nesse mesmo aspecto que, neste sábado, 12 de Outubro, o portal UOL, através do "Blog do Perrone", publicou um material afirmando que Mattos aluga apartamento para membros da comissão técnica do clube.

Segundo a publicação, "(...) Alexandre Mattos, diretor de futebol do Palmeiras, aluga dois imóveis de sua propriedade para integrantes da comissão técnica que ganham auxílio-moradia, benefício que passa pela solicitação do dirigente. O auxiliar técnico Andrey Lopes e o preparador de goleiros Oscar Sevory Nunes Rodriguez moram em apartamentos comprados neste ano por Mattos na vizinhança do CT do Palmeiras. Antes de se tornarem inquilinos de seu chefe, eles receberam, a partir do pedido de Mattos, aumento no auxílio-moradia que já ganhavam."

Ainda segundo Perrone, Mattos confirmou o aluguel e disse que são investimentos lícitos e que ele tem direito de alugar para quem quiser. A reportagem aponta que os funcionários negaram o caso, mas o próprio Alexandre confirmou e tentou esclarecer o caso. Ainda complementou a questão dos aumentos alegando ser uma prática do clube e que visava manter os profissionais que estão visados pelo mercado do futebol nacional. A reportagem completa pode ser lida em: https://blogdoperrone.blogosfera.uol.com.br/2019/10/mattos-aluga-imovel-para-quem-tem-auxilio-moradia-no-palmeiras-a-seu-pedido/

Alexandre parece, inclusive, ter perdido o apoio de ídolos do clube. Velloso e Ademir da Guia, além do ex-goleiro Marcos, não defendem mais a permanência do executivo e contestam o trabalho junto à pessoas próximas. Consultados pela reportagem, jogadores do elenco não quiseram responder sobre a conduta do chefão do futebol. Ele, por sua vez, até o momento dessa publicação, não respondeu ao nosso contato.

A certeza é que o momento é super conturbado e o futuro dele no comando do Palmeiras é incerto. Mantido pelo presidente Maurício, mas recebendo pressão até do conselho do clube, Mattos fica em xeque. O final do ano e a recuperação do time, em campo, talvez seja a única, ainda que improvável, chance para que ele se mantenha no cargo forte do Palmeiras.

Tags:
  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.