Tinha que ser o Flamengo. É como se olhar no espelho e ficar muito incomodado com a própria imagem. Você espera encontrar aquele ideal que inventou e quis fazer real, mas leva uma bordoada na cara, vendo o real. Está feio, moribundo, irritado e sem ânimo pra seguir, mas precisa. É obrigação.

O Flamengo, tinha que ser ele, o time que parecia seguir os passos palmeirenses rumo a dominar o futebol brasileiro.  Ficou nas botas alviverdes e deixou um cheiro de perigo no arredores do Palestra, foi bravo, mas cedeu. Ergueu-se em montanhas de dinheiro e jogadores de significância. Como nós também fizemos.

Afundamos juntos. Tinha que ser o Flamengo o primeiro adversário depois de escancarado o fracasso que foi 2017. Você e eu já sabíamos que estávamos próximos de dar errado, mas a esperança é verde, né? Mais uma bordoada. Espelho rindo da nossa cara.

É como olhar através daquele que reflete e ter de repensar sobre tudo. Não fomos os únicos, mas fomos os piores, rival rubro-negro. Juntos, lado a lado, expectativas, projeções e possibilidades.

Poderíamos imaginar que um empate com gol divino aos 35 do segundo tempo jogando com um mais poderia nos colocar novamente a dois passos do título. Que seria mais um 4 a 2 que faria terremoto no novo Allianz Parque. Alma de Palestra.

Tinha que ser o Flamengo o fiel, o maior perseguidor e o maior obstáculo pelo deca. É o Flamengo o oponente de hoje, um espelho sem reflexo. Você olha e não vê. Não vemos nada do que poderia ser. É frustrante.

Tem que ser diante do Flamengo uma resposta. Um pano que diminua a sujeira pra podermos ver alguma coisa mais clara e concreta. Ter algo no qual se apegar para uma sequência mais digna. Correspondente ao que se pode fazer.

Fracassamos nós, fracassou o Flamengo, fracassou o excesso (?) de dinheiro, a megalomania, a sensação precipitada de glória e desejo abaixo do necessário. É um clássico deprimente, mas estaremos lá mais uma vez. A vitória tem de vir. Tem que ser contra o Flamengo.

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