Contra Boca Juniors, Palmeiras repetiu fórmula do sucesso contra Colo Colo, mas falhou

Contra Boca Juniors, Palmeiras repetiu fórmula do sucesso contra Colo Colo, mas falhou

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Depois da derrota para o Boca Juniors na noite da última quarta-feira, muitas foram as críticas pela forma como o Palmeiras optou por jogar na Bombonera. As inúmeras rebatidas da defesa para o ataque, as perdas da posse de bola e também os erros de passe. Entretanto, na última partida do clube fora de casa pela Libertadores houve uma apresentação alviverde muito parecida com a de ontem que recebeu inúmeros elogios: vitória por 2 a 0 sobre o Colo Colo, no Chile, pela partida de ida das quartas de final da competição.

NA BOMBONERA, MAIOR NÚMERO DE BOLAS REBATIDAS DA ERA FELIPÃO. NO CHILE, SEGUNDO MAIOR

Houve uma série de críticas sobre a dupla de zagueiros Gustavo Gómez e Luan por conta de seus “chutões”. Somando suas rebatidas com as do lateral Diogo Barbosa, que foi o terceiro a rebater mais bolas na equipe, eles foram responsáveis por quase metade das 56 rebatidas do Palmeiras em tentativas de chegadas argentinas. No Chile, o número total quase se repetiu, tendo em vista que foram 53 rebatidas da equipe.

POSSE DE BOLA E SUAS PERDAS NAS DUAS PARTIDAS ELIMINATÓRIAS QUASE SE REPETEM

Dentre muitos disseram que o Palmeiras abdicou de jogar contra o Boca Juniors, poucos se lembraram de que a partida no Chile foi muito parecida, porém o Palmeiras conseguiu a vantagem no placar cedo e, por isso, a ideia foi bem aceita por muitos torcedores. Na Argentina, o Palmeiras encerrou a partida com 39% de posse de bola, enquanto no Chile o apito final rendeu a média de 43% de posse de bola ao time. Durante as duas partidas o Palmeiras teve de lidar com quase o mesmo número de perdas de posse de bola, acontecendo 24 vezes contra o Colo Colo e 29 vezes contra o Boca Juniors.

QUATRO PASSES TROCADOS ENTRE ATLETAS DO PALMEIRAS SEPARAM AS DUAS PARTIDAS

A sensação de que o time que entrou em campo estava nervoso e que a bola estava queimando nos pés dos atletas, como algumas pessoas chegaram a opinar, pode ganhar outra interpretação se observarmos que o Palmeiras trocou quase o mesmo número de passes durante as partidas contra Colo Colo e Boca Juniors. 242 passes certos na Argentina contra 246 passes certos no Chile.

O QUE FEZ A DIFERENÇA PARA DETERMINAR A VITÓRIA NO CHILE E A DERROTA NA ARGENTINA?

Trazendo para uma análise mais objetiva e fria, sem entrar no mérito das escalações e de nomes, o Palmeiras pecou muito mais na precisão de passes, finalizações e lançamentos na Argentina. Enquanto acertou quase o mesmo número de passes, errou 31 contra o Colo Colo e 52 diante do Boca Juniors, o que permite que o adversário ganhe oportunidade de criar jogadas enquanto o sistema defensivo tenta se reorganizar por conta do erro.

Com relação a finalizações, na Argentina foram oito tentativas a gol contra nove no Chile. A diferença, claro, esteve na precisão, já que diante do Colo Colo foram cinco conclusões na direção do gol, enquanto contra o Boca foram apenas duas. Por fim, os lançamentos para que o ataque pegasse uma linha defensiva desorganizada foram muito imprecisos: 13 corretos e 40 incorretos, num total de 53 tentativas. No Chile, foram 31 tentativas e 22 acertos contra nove erros.

NÃO HÁ IDEIAS CERTAS OU ERRADAS, MAS APENAS AS QUE FUNCIONAM OU NÃO FUNCIONAM

Eu gosto muito de trazer esse ensinamento dos meus estudos de futebol para as minhas análises. De fato, não há ideias certas ou erradas, mas apenas as que funcionam ou não funcionam. A mesma ideia de jogo funcionou diante do Colo Colo, mas não deu certo contra o Boca Juniors. O importante é que aquele observador, torcedor ou comentarista entenda o objetivo proposto pela equipe para aqueles 90 minutos e reflita por qual motivo aquela ideia foi aplicada.

Tanto Boca Juniors quanto Colo Colo são equipes lentas tanto para contra-atacar quanto para se recompor. A diferença brutal está na parte técnica, onde o clube argentino muito se diferencia e, por isso, aumenta a dificuldade de uma estratégia funcionar. Luiz Felipe Scolari não “inventou” nada para o duelo com o Boca. Ele aplicou uma ideia que deu certo recentemente, mas dessa vez não funcionou.

  • Rodrigo Fragoso

    Rodrigo Fragoso

    Formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e especializado em gestão, direito e marketing esportivo pela FIFA/CIES/FGV.