Cornetas do aporcalipse

Cornetas do aporcalipse

Felipão tem toda a razão que não teve durante a derrota e eliminação para o Inter para dizer que não se deve morrer por mais uma decepção em mata-mata (mas não “obrigação” de classificação).

O manifesto da Mancha Alvi Verde depois da queda dolorida na Copa do Brasil-19 nos pênaltis (como foi a penalidade máxima também no SP-19, SP-18, SP-16, SP-15 e Libertadores-17), mais uma eliminação em mata-mata por pontos no confronto direto (como foi na Copa do Brasil-18 e 2016, e Libertadores-18), no saldo de gols (no SP-17) ou no critério de gols fora (Copa do Brasil-17) também tem suas razões e motivos mais equilibrados do que alguns dos textos da torcida que, anteriormente, não deixavam pedra sobre jogador e lápide sobre elenco que era dizimado a cada fracasso ou insucesso. Justificável ou não.

O manifesto no Facebook cobra mais futebol de Deyverson e mais fibra de Lucas Lima. A Mancha, a torcida, eles dois, e, acredite, e acredito, o próprio treinador, concordam com a corneta.

Também se quer, se pede e se pode ter uma postura menos ácida de Felipão, que por vezes parece de saco cheio de tudo e de todos.

Tem razão a Mancha quando fala que quem não suporta a pressão não pode ser profissional do Palmeiras.

Mas quando fala contra quem “ameaça” sair e não sai, perde a que tem. Porque ameaça e mordaça.

Um dos problemas do Palmeiras e de alguns torcedores organizados, amadores, profissionais, remunerados ou gratuitos é exatamente a pressão absurda. A que vai além da natural do ofício. A que sofrem atletas e familiares nas redes antissociais. Casos de polícia. De pocilga. De podres.

Felipão é turrão quando insiste demais em Lucas Lima e, vá lá, Deyverson. Todo treinador precisa de suas teimas e teimosias. Claro. Como o “turrão” precisa de Turra, Paulo, para equilibrar o jogo e o time.

Mas o crédito do paizão da nossa paixão é enorme. Porém não ilimitado. Pode e deve ser criticado quando erra ou, vá lá, quando as coisas dão errado.

O problema é que os dois lados andam muito sensíveis. Qualquer chuteira pegada vira “campanha”. Mimimi de todo lado. Qualquer derrota vira fracasso. Chororô de quem acha que tudo é vergonha x quem se acha às vezes na várzea.

Nem tanto ao Divino e nem tanto ao Darinta.

Paz aos palmeirenses de boa vontade. Pás de cal nas tretas despropositadas.

Não e hora de achar que é “obrigação” ganhar tudo. Nunca foi nem com as Academias, não será agora. Não é hora de se achar acima de tudo e de todos.

Tem como melhorar. Tem quanto melhorar. Tem quando melhorar.

Mas um pouco de equilíbrio dos dois lados é essencial. O diálogo que Mattos e alguns atletas tentaram ter com alguns torcedores que atiraram pipocas e atritaram na entrada do hotel em Fortaleza na véspera do jogo contra o Ceará é uma das saídas.

A outra é sair com tudo. Sair de todas. Algo que alguns bestas e cornetas do aporcalipse parecem querer.

  • Mauro Beting

    Mauro Beting

    Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 16 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV.