Dedicando o gol ao país que eu quero

Dedicando o gol ao país que eu quero

Problema do Palmeiras não é quem dedica o gol para quem aos 900 minutos do segundo tempo em casa contra o lanterna com um jogador a menos. Problema tem sido jogar bem. Fazer gol. Com dedicação, suor e saber.

Problema foi Felipe Melo durante a campanha de 2018 fazer proselitismo eleitoral com a camisa do clube. Se ele dedicasse aquele gol ao “amigo e mito” esfaqueado, problema algum. Mas dizer que era para o “futuro presidente”, aí sim. Ele não. Errou. Mas acertou no alvo como se fosse um tiro de arminha. Deu o que ele queria. Estaria errado e fora de sintonia FM também se fosse um abraço pro Haddad. Ciro. Daciolo. Belzebu. Quem fosse. Era boca de urna em local inadequado com a camisa que não se mistura. Não pode.

Agora, em 2019, ele pode dedicar o gol da vitória ao diretor dele que tem sido atacado com muita razão em alguns pontos, muito ódio em outros perdidos, muita política (e pouca economia) sempre. Felipe também pode dedicar o gol ao presidente em exercício. Ao Lula preso. Ao Moro livre. Ao Olavo jato de adubo. Ao político adulto. Ao chato de plantão. Já foi a eleição. Proselitismo político é menos pernicioso que o eleitoral. Quem não souber a diferença não sabe somar.

Quando o Corinthians defendeu a Democracia em 1982, era um movimento necessário. Para que pudéssemos depois votar em Lula. Bolsonaro. Não era em nome de um político. Era em nome de todos os cidadãos. Para que eles possam votar. Debater. Conviver. Com democracia para todos. Não o autoritarismo de alguns. E apologia à ditadura do outro.

Deixemos Felipe Melo mandar abraço para quem quiser com responsabilidade. Melhor do que tapa na cara de uruguaio com responsabilidade. Deixemos outros marcarem mais gols e jogarem mais bola. O que de fato importa.

A opção política de cada um precisa ser respeitada. Como a vontade das urnas. Desde que haja mais urnas e não ruínas na próxima eleição.

Quem recebeu abraço de Felipe Melo não foi meu voto. Mas faço sinceros votos de que ele seja no cargo muito do que ele não é, diz, pensa, faz e traz junto com ele. Até para que outros abraços possam ser dados em outras pessoas a partir de 2022.

Não sou palltrollero, o palmeirense trollador e patrulheiro. Prezo aquilo que o presidente nem sempre preza por ser adorador e adulador de QIs de Ustra. O Brilhante bruto que torturava presos políticos. Prezo o que não tem preço: a livre manifestação. Mais livre que manifesto.

Sempre com democracia. Para saber vencer e perder. Para que tenha jogo. Não cartas e almas marcadas pelos senhores das armas.

  • Mauro Beting

    Mauro Beting

    Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 16 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV.