Domingos em diminutivo

Domingos em diminutivo

Eu acordei muito cedo naquele domingo. Praticamente no segundo seguinte ao que tentei, sem sucesso, aumentar a atração entre as pálpebras e sossegar meus olhos nervosos. Via vídeos de grandes momentos passados.

Baixinho para não acordar os amigos que mal dormiam também, cantarolava o hino nacional do meu time. Ansioso, aprendi todos os sabores de café que jamais havia provado. Assisti o sol surgir na janela do prédio que, a essa hora, já dava bom dia pra São Paulo.

Era dia de final.

Todos se levantaram também, de armadura em corpo, as superstições em dia, os que evitavam comer, os que usavam a peça de roupa da sorte, os que rezavam por minutos initerruptos. Ninguém conversava direito. Pairava no rarefeito ar do nervosismo, a ansiedade.

Em um ato de sorte, espelhei na televisão um vídeo que dizia: "seremos campeões mais uma vez". O uníssono tomou conta do cúbiculo e uma sensação ímpar de união para aquele dia. Frio na barriga, medo, tesão pela vitória, intranquilidade pela taça. Um clima viciante.

Aquela noite terminou com uma palavra na televisão que falava sozinha no silêncio sepulcral da nossa raiva: "Paulistinha".

Um ano depois, um final a menos, acordando com uma sensação de tédio, de certa incredulidade, não temos o porque não dormir direito. Nem porque seguir todos os esquemas que nos faziam crer no sucesso. O diminutivo verdadeiro que percebo é esse. Dominguinho sem emoção, sem tensão, sem ser um dia de ver meu time quase fazendo a segunda-feira ser incrível.

Que dominguinho sem vergonhazinha.

Finais serão sempre finais.
Finais sem Palmeiras sempre serão uma chance desperdiçada.
Um Paulistão a menos para chamar os outros de fregueses.
Saudades, 200oitão. Campeão.

Tags:
  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.