Dudu 300 e o amor do torcedor

Dudu 300 e o amor do torcedor

Cronista se acha o dono das palavras. Julga-se capaz de escrever e verbalizar o sentimento de uma imensidão de gente. As vezes, é possível, sim, mas nem sempre é a melhor opção. No jogo de número 300 do Dudu, o “meu maior ídolo, quem me deu a sensação que meu time poderia ser campeão”, falam aqui as vozes dos torcedores que conduzem no amor e na garganta, a história de um gigante.

“Se você tivesse um contrato vitalício, você assinaria? Obrigado por tudo”, um coração verde pergunta. Porque não? Como foi eterna essa história que ainda não quer acabar. Como a chegada foi grandiosa, mas o caminho foi glorificante. “Se o Palmeiras quiser, vamos pra 600”, disse o 7. Que já não é número, é idolatria, é amor, significa Palmeiras. O meu 7! O nosso 7.

“Desculpa, Dudu, por te criticar acima do tom. Minha esperança sempre foi você. Errei por excesso de confiança”, relata o palmeirense que Parmerou. Passou do ponto por amar demais. Como você, Dudu, que passou ao empurrar o juiz, ao brigar, ao se enfurecer e tentar driblar 22 adversários. Por excesso de desejo, por excesso de respeito, por querer demais, por ser como todos nós. Por ter verde na pele e na alma.

Pobre engano achar que a idolatria depende da conquista. “Dudu, obrigado pela raça”. “Muito obrigado por amar nosso clube”. “Eu nunca vou esquecer do quanto você sofre conosco”. “Sua raça é nossa cor”. “Dudu não é ídolo por ser craque, ser genial, ele é ídolo porque honra a camisa, se dedica ao máximo, demonstra amor e joga por nós”. Dudu é a representação do Palmeiras, da melhor versão que o clube pode ter. A do povo.

O povo que te agradece, Dudu, por tudo e muito além sobre onde o chute foi ou sobre quanto o jogo acabou. Agradece por “resgatar o amor do torcedor”, “por fazer meu filho gostar do Verdão”, “por vir ao clube quando ninguém aceitaria esse fardo”, “por preencher meu coração que estava carente de ídolos”, “por fazer de mim, com 60 anos, o torcedor que fui 15 anos atrás”. É um amor que fala sobre vida, sobre histórias e lembranças.

O cronista que não é dono do mundo, mas que ficou extasiado com sua chegada naquele domingo de manhã, que chorou copiosamente quando você trouxe a Copa, mas que sentiu sua dor quando abraçou Prass, decepcionado. Que sentiu sua raiva quando não deu certo, que moveu mundo e fundos pra te ver em campo sendo a personificação da esperança. Que ganhou, desde sua chegada, a fé de viver o sonho. E que já o viveu 3 vezes desde aquele momento. Que te agradece por tudo.

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A torcida escreveria um pergaminho, se fosse preciso, ela sente necessidade de expor o amor que sente. Ela não pode gritar ao mundo, mas ela comenta nas suas fotos, te marca, cria hashtag, inventa cânticos, usa teu número às costas, te pede pra nunca mais sair. E pensa em dar ao filho, a quem não conhece, mas já ama incondicionalmente, o seu nome, Dudu. “Diga a ele que não sou pai, mas que darei o seu nome pro meu filho”.

Não há nada que supere o carinho. As cifras podem ajudar, mas o amor é definitivo. No futebol volátil e dos euros, a escolha pela idolatria é única. Passar uma vida usando uma cor é subir a escada pra conversar com os Deuses de verde. É fazer parte do altar de cada palestrino. É morar nos nossos corações pra sempre. A história continua! E cada dia mais bonita, saudosa e campeã.

Obrigado, Dudu! 300 vezes.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.