E o vento não levou em Londrina: Paraná 1 x 1 Palmeiras

E o vento não levou em Londrina: Paraná 1 x 1 Palmeiras

(Foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras/Divulgação)

Há 6 anos, 21h27 também de um domingo, Portuguesa 2 x 2 Grêmio terminaram o jogo empatados, no Canindé. Com o empate em São Paulo, e o empate por um gol em Volta Redonda entre Flamengo e Palmeiras, horas mais cedo, o time que Gilson Keina herdou de Luiz Felipe Scolari estava rebaixado no BR-12. Seis anos depois, no campo também "neutro" de Londrina que mais parecia o velho Palestra Italia pela vibração e cores dos 25 mil presentes, o Palmeiras enfrentava o lanterna "café com leite" Paraná, no Estádio do Café. Muito desfalcado o time tricolor que já era péssimo no BR-18, mas com uma garotada promissora e que jogou como se fosse final de Copa, não da picada. Brava atuação do lanterna que segurou o grande líder do campeonato que fez sua pior exibição com Felipão.

Sem o suspenso Luan, o treinador optou pela zaga que tem rendido menos, e chegou atrasada no gol de Keslley, aos 34. Jogada rápida ainda mais veloz pelo vento forte que desde os 14 minutos soprou a favor do time paranista. Não é figura rasa de linguagem, nem desrespeito ao pior time do campeonato: o Palmeiras jogou mesmo contra o vento no primeiro tempo. Criou duas chances, cedeu outras duas, e pouco fez. Não só pela chuva forte e pelo vento contra.

Na segunda etapa, melhores ventos sopraram. Trocou de lado o time, não a força do vento. Em seis minutos aconteceram dois pênaltis num só lance, e o árbitro marcou o último (sem expulsar o paranista que meteu o braço na bola). Scarpa bateu bem aos 8. Pouco mais fez o Palmeiras mesmo quando o vento parou de soprar a favor, aos 15. Willian pela direita produziu pouco no lugar do ausente Lucas Lima da primeira etapa. Com Bruno Henrique, Moisés foi liberado para armar, mas pouco fez, mais uma vez nos últimos jogos. Dudu, de novo, tudo tentou. Mas foram apenas 6 chances do líder contra o lanterna que teve 3.

O Paraná não merecia perder o jogo. O Palmeiras não mereceu vencer. O placar inusitado reabriu o BR-18 para o Flamengo que bravamente venceu com um a menos na Ilha do Retiro. Ainda são muitos (e os mesmos) 5 pontos do líder para o vice. Agora o Flamengo, já que o Internacional perdeu outro jogo polêmico, desta vez no Rio, para o Botafogo.

Mas ainda é o Palmeiras que poderia depender apenas dele para ser campeão como ainda pode ser - dependendo de tropeços dos rivais. Como o Palmeiras em 2012 dependeu do Grêmio de Luxemburgo que saiu perdendo por 2 a 0 no Canindé. Com o primeiro gol marcado em 2012 pelo mesmo Moisés que hoje também é 10 no Palmeiras, de pênalti. Com o gol de empate que acabou não sendo suficiente (para o Palmeiras) do Grêmio marcado por outro camisa 10. O eterno Zé Roberto que, a partir de 2015, ajudou a reerguer esse Palmeiras que é grande, é gigante e, mesmo não sendo muito disso em Londrina, manteve a ponta, e a conquistou a maior invencibilidade da história dos pontos corridos; 20 jogos.

Só que sai de Londrina com a sensação de que tinha como ser muito melhor. Como ainda é muito melhor e favorito ao título brasileiro.

  • Mauro Beting

    Mauro Beting

    Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 16 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV.