Eles sobreviveram e carregam o Palmeiras no coração

Eles sobreviveram e carregam o Palmeiras no coração

(Foto: Arquivo pessoal)

Com dois anjos como inspiração, Diego Rodrigues, de Macatuba, sobrevive após a triste luta que a mãe deles, a Larissa, não pode vencer contra a Covid-19. Complicações causadas pela doença provocaram um parto de emergência ao qual, infelizmente, a jovem mamãe não resistiu. Ao lado dos pequenos, Diego, que venceu o vírus, tenta seguir sua jornada. Com os filhos no colo, ele publicou uma imagem que comoveu o país. Usando o uniforme do Palmeiras de 1994, o pai ostentava os macacões alviverdes usados pelos filhos. Essa história de vida e amor chamou a nossa atenção.

Humilde e apaixonado pelas cores, ele contou que o Palmeiras surgiu em sua vida através de seu pai, um fanático. ‘Veio do meu pai. Ele é torcedor alucinado, né? Isso aí veio de berço, que desde pequenininho eu acompanho o Palmeiras, até hoje. A minha mãe não acompanha, mas ela torce pro Palmeiras, também’, explicou.

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Diego, Guilherme e Gustavo - Foto: arquivo pessoal

Prematuros, Gustavo e Guilherme, levando o alviverde como legado, estão bem e em casa, ao lado do pai e dos avós paternos. Larissa moraria com Diego na casa dos sogros com os pequenos que já têm seus berços arrumados no quarto que a família construiu. Agora, pais e irmã estão ao lado do filho, que tem aprendido e vivido a vida de pai de gêmeos.

Convencida pelo incondicional amor do marido pelo Verdão, Larissa havia aprendido a gostar de futebol e do Palmeiras. Em casa, como ele conta, a televisão sempre foi só pra ver os jogos. E isso não vai mudar. ‘Eu só assisto TV para acompanhar futebol. Eu gosto de ficar vendo notícia, porque o Palmeiras mexe bastante no mercado da bola e eu gosto de ficar acompanhando, mesmo nesse tempo sem os jogos’.

Ansioso pelo retorno das atividades do Palmeiras, ele confessa que tem tentado suprir a saudade, mas que nada é tão bom como passar raiva (e amor) diante da televisão. ‘Eu vejo os treinos no canal do Youtube do Palmeiras e outros vídeos, também, mas hora que voltar o futebol, cara, nossa, já dá um alívio, é bem gostoso assistir o Palmeiras, viu. Passar aquele nervoso. É emocionante, diferente. Só quem torce pro Palmeiras sabe’.

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Diego e Larissa prestes a descobrir o verdadeiro amor. Ele conta que, momentos antes de falecer, a mamãe conseguiu realizar o sonho de conhecer Gustavo e Guilherme - Foto: Arquivo pessoal

Com fotos com o manto alviverde, os pequenos já são palestrinos, assegura Diego, que não imagina outro caminho para eles. ‘Se eles resolverem mudar de time eu vou falar “ó, é feio trocar de time. Vocês são palmeirenses”. Não vão trocar, não (risos)’. Quem nasce palmeirense nunca alterna o caminho, sabemos todos nós. Ainda mais com o amor do pai.

Amor esse que se intensificou após o dia 2/12/2015, uma noite que Diego não se esquece e que sonha em contar pros filhos como tudo aconteceu. ‘A Copa do Brasil de 2012, que a gente achou que não ia ganhar nada. Mas eu acho que em 2015, a Copa do Brasil, com o Dudu fazendo gol, sabe? Fernando Prass batendo pênalti, para mim foi aquele o maior jogo que vi, cara. Foi muito bacana. Eu gostei muito daquele jogo e quero que eles saibam como foi’.

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Prass e Dudu, alguns dos maiores ídolos de Diego, comemorando o título palmeirense mais celebrado pelo novo papai - Foto: Cesar Greco / Fotoarena

Recebendo o suporte do Palmeiras, que deve levar mais doses de verde e branco pra vida deles, Diego finaliza contando que a família recém-formada já tem a essência de ser alviverde. ‘O pessoal do clube vai trazer uma lembrancinha para mim e para os meus bebês porque a gente já saiu da maternidade com roupinha do Palmeiras e a gente já tem chupetinha do Palmeiras. De pequenininho já tem o gosto de ser palmeirense.'

A vitória deve ser, quase, a melhor coisa que o futebol tem. O grito de gol, o mais emocionante, mas nada tem tanto poder quanto o amor de pai e filho e a passagem de geração pra geração desse sentimento de torcer. De ter cores. De ter emblema. De ter casa. O Palmeiras é melhor com o Diego, com o Gui e com o Gu. E será muito abençoado pela Larissa, que mora no céu.

  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.

  • Guilherme Paladino

    Guilherme Paladino

    Palmeirense, estudante de jornalismo na UNESP, com passagem pelo Torcedores e atualmente setorista no Nosso Palestra. Apaixonado por jornalismo e por esportes. "A bola não entra por acaso."