Esperança, sonho e amor: a história de Murilo

Esperança, sonho e amor: a história de Murilo

Nossa mania de pedir as coisas para os céus, nossos hábitos religiosos de dividir os sonhos com os seres superiores que fazem parte da vida e da crença de cada um. Sejam eles quem forem, certamente fazem questão de unir as pessoas certas paras as missões mais encantadoras.

Murilo é a paixão Palmeirense do pai que veio ao mundo com a exata função de trazer o real sentido de paz. Desejo do torcedor ferrenho que é, o nascimento estava previsto para dia 12 de Junho, o dia mais verde que existe no calendário. Detalhista, a vida o trouxe ao mundo um dia antes. Não era justo dividir o coração desse pai com seus dois maiores amores em apenas 24 horas.

Filho de Palmeirense, Thiago é formado no concreto do Palestra Itália. Recebeu o verde, o branco e o vermelho pelo sangue. Viveu a Taça Libertadores ainda com 14 anos. Caráter forjado na glória que passou pelas dores de um Pacaembú em guerra, em 95. Traz na memória tudo o que o Palmeirismo ensina. Sina de levar o legado pro herdeiro.

Sonho que soou pesadelo, como ele mesmo disse ao se lembrar que o diagnóstico do pequeno mostrava um caso de autismo. Sem saber bem do que se tratava, sentiu que poderia não ir além no sonho de entregar ao filho tudo o que mais sempre amou. Mal sabia a história que lhe esperava. Sonhos são verdes, são pura esperança, são Palmeiras.

Murilo nasceu em campo. Antes de ter um, já havia sido testemunha ocular do golaço de cobertura de Robinho diante do São Paulo, em terras adversários. Guerreiro por natureza, lutava em silêncio. Apenas aos dois aninhos de brilho no mundo, seus pais souberam que cuidavam de um anjinho cuja biologia não se interpretava normal, mas azar da ciência que não entende o que um coração de criança é capaz de fazer.

Em 2018, passando por tratamentos e escolinha, trabalhando e estudando, como brinca Thiago, o papai, Murilo foi com a mamãe Carla ao Allianz Parque pela primeira vez. Era dia de clássico, dia de sentir em arrepios o que é uma família lutando por uma conquista. Estreou no cenário mais Palmeiras possível, mas o clima era como aquele pré jogo, tenso: “eu estava ansioso, nervoso, não sabia o que esperar. Estava pronto para ir embora aos 10 minutos”.

Murilo não quis.

“Meu Palmeiras, meu Palmeeeeiras”, cantava o preocupado Thiago com o pequeno que comia sua pipoca na paz dos vencedores. Quando a torcida soltou a plenos pulmões todo o amor que sentem pelo time, esse pai que poderia ser qualquer um de nós, viu que seu sonho estava vivíssimo. O pequeno alviverde pulava, gesticulava, sentia na pele inocente e pura tudo o que aquele momentos significava. Entender é um detalhe desse poder sensorial e inexplicável que um jogo de futebol pode trazer. Avô, pai e filho, unidos por três cores que são música.

Emocionado com o poema que Thiago fez para o filho neste dia, resolvi tentar fazer da lágrima, um texto para ele que fez da dificuldade, amor. Pro pequeno que fez da compreensão, a celebração. Pra essa mãe que deu à luz a um anjo. Para eles que fazem do Palmeiras, a união, a felicidade, as melhores sensações da vida.

“É a nossa alegria mais genuína
É você cantar e pular nas músicas
É ficar feliz no gol sem saber quanto está o jogo
É você estar comigo
Eu te amo, Murilo
Nunca se esqueça disso”,

Thiago escreveu após viver seu primeiro dia de Palmeiras ao lado do filho. Realizando seu maior sonhos. Sentido que a esperança é realmente verde e que seu garoto é um de nós, um dos mais especiais entre todos nós.

Família, todo o amor que eu sinto por ti, pelo Murilo, pelo Palmeiras, quando eu tiver um filho, passarei pra ele. Obrigado, Thiago e Carla.

Vocês são a verdadeira Família Palmeiras.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.