Essência e amor às cores: onde foi que nos perdemos?

Essência e amor às cores: onde foi que nos perdemos?

Não dou a mínima pro salário de vocês. Ou de que clube vieram. Nem quantos títulos carregam na estante da sala. Não quero saber em quantos países vocês estiveram ou se usaram o uniforme amarelo do país. A nossa questão aqui não é se você pode fazer um pergaminho com seu currículo. O negócio é saber se você pode colocar o Palmeiras nele.

Vocês todos aí sabem o caminho e tem plena capacidade de executar a missão. Porque o “Meu Palmeiras” não arrepia mais o teu braço pré jogo? Porque o teu jogo não faz mais o estádio fervilhar? Qual foi o nosso erro no meio do caminho? Ainda que brilhante nos primeiros momentos de campeonato brasileiro, nós, o Palmeiras, temos falhado nas decisões. Temos sentido pouquíssimo o peso delas.

Imaginem só como foi que o Allianz terminou aquela noite contra o Cruzeiro? Não havia lá um ser humano que não jogasse. Cada bico era de todos. Vocês deram amor à causa e nós, pra vocês. É assim que o melhor Palmeiras se constrói. Juntos. Mãos dadas. Engolindo seco e superando o problema.

Porque você, do terno, prefere se unir ao poder do que se unir ao seu povo? Te falta raiva da derrota. Te falta ódio do fracasso. Te falta tesão na vitória. Tem te sobrado estratégia e faltado coração. Não funcionamos assim. Não dá mais tempo para recalcular a rota, imaginar soluções mágicas que viriam com Fibrose. Tem que fechar os olhos e sentir que dá.

Porque dá. Todos sabemos que é possível.

A pipoca é despertador. É alerta. A gente só quer jogar fumaça, confete, batuque, barulho, rojão. A gente só que a rua aberta, chacoalhar o seu ônibus e te deixar pilhadaço pra ganhar. E se der ruim por algum motivo e tudo tiver ficado lá no gramado, você vai ouvir aplauso. Sabe o porque? Porque foi união, foi coração, foi tudo o que nos moldou como família.

Larguem esse discurso arrogante. Postura de superioridade, de auto-suficiência, de uma frivolidade hipócrita e que não nos cabe. Somos coração, cazzo. Podem acreditar que escolhemos todos o apoio. Porque acreditamos piamente que o Palmeiras é isso. Jogadores sentem. Diretores sentem. Contem com a nossa parte e não deixem, mais uma vez, de fazerem a de vocês.

Pra cima e pra superar a semana que mudará o ano.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.