Alberto Valentim tem tudo para ser efetivado no Verdão (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)

Não há quem sofra mais do que o estagiário. Seja ele postulante a jornalista, advogado, arquiteto ou qualquer coisa que o valha. É o estagiário que faz as tarefas sacrificantes. Enquanto o chefe e o recém-formado colocam os pés na mesa e fuçam seus respectivos Facebooks, o estagiário passeia pelas obrigações atormentadoras. As missões variam desde o trabalho não explicado direito ao pedido de pizza para o restante da tropa. E sorri, alegre, com dentes amarelados, quando sobra um pedacinho frio. Que martírio.

Quando ouço falar em estagiário logo lembro do Roberto. Pobre Roberto. Era um moço promissor, coitado. Mas não sobreviveu ao massacre. Amigo do tio de uma prima de um amigo meu, ele cursava engenharia. Craque nas contas, começou a contar os segundos para sair da construtora. Teve uma vez de limpar cocô de cachorro no serviço. Mas cocô, você sabe, fica pior quando chamam de merda. E pior ainda quando seu chefe te chama de merda. Que merda.

Pior seria ser chamado de bosta. Bosta só não é pior do que burro. E burro, vocês sabem, é algo normal de se ouvir dos amigos (e por que não dos inimigos ou conhecidos?). Já vi burrice de estagiário de jornalismo mandando mensagem errada para o chefe por Whatsapp e e-mail. Já vi, na sequência, o desespero para tentar apagar logo o recado. Obviamente não deu tempo de cancelar. Recados amorosos e pedidos de desculpas (nunca soube de casos envolvendo nudes), aliados ao teor alcoólico do sujeito, se misturaram em uma cagada curta, mas tão intensa quanto o sonho que vive um estagiário de ser contratado um dia. Uma tragédia que só.

Mas há o estagiário prodígio. O estagiário prodígio é o oposto disso. É o grande mistério da humanidade. Ele é melhor do que você em tudo. É mais rápido do que você, tem português refinado, faz contas com muito mais velocidade, fuça em tudo ligado ao mundo tecnológico, sugere coisas interessantes e tem mais vontade. Tirando o fato de ter mais cabelo, mas isso não vem ao caso.

O estagiário prodígio nunca bebeu ou fumou. Não tem vícios. O chefe diz que o estagiário prodígio é uma folha em branco pronta para ser moldada conforme a necessidade da empresa. Que logo escreve contratado, com letras maiúsculas, pouco tempo depois.

Acho que o estagiário Alberto Valentim será efetivado no Palmeiras.

Até porque, em algumas ocasiões, o estagiário pode ser um Keno melhor do que um funcionário experiente.

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