Tchê Tchê foi uma das principais peças do Palmeiras na campanha vitoriosa do Campeonato Brasileiro 2016 (Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação)

Tchê Tchê caiu muito ultimamente. Ando comparando o atual volante palmeirense com o mesmo jogador, mas o de 2016, e noto bastante diferença. Segue franzino, com o mesmo aspecto físico, chutando com os dois pés e com o parceiro Moisés no setor. Mas algo inesperado acontece. É como as ondas do mar que, apesar de se mostrarem idênticas, sempre voltam diferentes: ou mais intensas, menos volumosas, cheias. Bom, eu reconheço: também caí. Caí, por exemplo, na qualidade das metáforas. A última sobre as ondas foi horrorosa.

Assim como Tchê Tchê, meus amigos, eu preciso admitir: tive muitas quedas na vida. Caí depois de tomar o primeiro pé na bunda. Quando minha ex-ficante mais séria foi viajar para os Estados Unidos e me deixou a ver navios. Nesse tempo, lá para 2010, despenquei no gosto musical: troquei Tim Maia por Bruno e Marrone, em busca de um pouco mais de melancolia como trilha sonora para o fora. Sofri. Sem dormir na praça, dormi muitas vezes no ponto. Hoje ela está feliz, casada com um caminhão pipa. E minha fase amorosa segue idêntica: magrinha, equivalente a de Tchê Tchê em 2017.

Tive quedas nos trabalhos por onde passei. Fui demitido de um deles, em um corte de gastos da empresa. Mas, nesse caso, me reergui e sou feliz. Fiquei uns quatro meses desempregado. Esse tempo contribuiu para outra queda que me persegue insistentemente: a de cabelo. Que, sejamos justos, já vinha acontecendo em velocidade máxima. Pelo por pelo, banho por banho.

Tchê Tchê caiu tanto que tem quem o compare como um chuveiro estreante. Você nunca sabe para qual lado precisa virar a chavinha, se para a esquerda ou direita. Se vai esfriar ou esquentar. Tchê Tchê, o do ano passado, era constante e certo como o chuveiro de casa. A torcida do Palmeiras conhecia como a palma da mão. Ou como a toalha do cabide, do box. Não existe quase nada pior do que banheiro na casa dos outros. Aposto que você fica mais desconfortável do que tem ficado o volante do Verdão em campo. Perdido no espaço e torcendo para o tempo passar rápido, para sair logo de lá. A pressa é inimiga da perfeição. E da precisão também.

Diferentemente de Tchê Tchê, no entanto, nunca tive de explicar minhas quedas. Se tivesse, falaria que o time precisa se reerguer, buscar os três pontos contra um adversário difícil e que a equipe tem de ter união. Vamos dar a volta por cima no próximo jogo, com fé em Deus.

E, se você perguntar se Tchê Tchê é esse de 2017 ou o de 2016, ou se eu sou esse ou o de todas as quedas da minha vida, vou lhe responder:

Aprendi que a gengiva é a única coisa que não cai com o tempo.

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