Fechado e abrindo com Felipão

Fechado e abrindo com Felipão

Eu não teria escalado tantas vezes Deyverson e Lucas Lima como titulares. Eu teria escalado (algumas) vezes mais Arthur Cabral na frente. Muito mais Scarpa, apesar da fase instável dele e de quase todos.

Eu teria treinado o time para trabalhar melhor a bola. Faria menos ligações com o centroavante. Usaria mais vezes Willian ali na frente na função que Goulart poderia ter sido mais escalado. Tentaria ser mais vertical sem ser tão direto. Aproximaria mais os setores com a bola. Daria mais liberdade a Dudu, além de exigir mais dele que pode dar mais do que todos.

Mas eu não sei fazer isso na prática. E nem na prancheta. Como não teria a menor ideia de como administrar o vestiário.

Eu falaria mais com a imprensa, logo, com o torcedor. Não seria tão irônico, mesmo sendo mordaz. Tentaria mostrar mais vezes a insatisfação com o desempenho e, agora, com os resultados. E a inconformidade com algumas manifestações exacerbadas de torcedores pelo momento da equipe e pelas conquistas recentes.

Não daria porrada na turma da marreta. Mas responderia buzinando contra cornetas usuais e as encomendadas.

Eu faria algumas coisas diferentes. Porque somos diferentes. Inclusive nas funções. Eu comento, Felipão treina. E ele faz o trabalho dele muito melhor do que eu. É muito mais vitorioso na profissão.

Claro que ele também erra. Ou as coisas dão errado. Mas a margem de acerto dele é muito maior. Na dúvida, fecho com o que ele faz. Tem carta verde no clube.

Só não precisa estar tão bravo com tudo e com todos. Tenha ou não razão. Ele também é merecidamente muito bem pago para administrar tudo isso.

  • Mauro Beting

    Mauro Beting

    Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 16 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV.