Felipe Melo na zaga é a construção de uma filosofia

Felipe Melo na zaga é a construção de uma filosofia

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

A maior questão que se levantou com a chegada de Vanderlei Luxemburgo ao Palmeiras era sobre o quão moderno o futebol da equipe poderia se tornar nas mãos do lendário treinador. E por mais que a temporada não tenha começado, os primeiros momentos de treinamento evidenciaram que, ao menos em ideia, o Palmeiras de 2020 seguirá os rumos do futebol atual.

Construção inicial

Fernandinho como zagueiro, Mascherano com zagueiro, Javi Martinez como zagueiro. Não são poucos os exemplos do que a vanguarda de Pep Guardiola, a referência em posse de bola no futebol, mostra nesse aspecto de recuar jogadores com ótimo poder de passe para a posição de combate, mas também de início de toda e qualquer ação ofensiva.

O treinador espanhol, inclusive, falou à crítica sobre essa prática: “iniciar bem o jogo é fundamental para que se gere atenção de seu marcador e que desde lá, a bola circule com qualidade e em progressão para quebrar o sistema defensivo desde esse momento”. Felipe Melo, sabemos, é alguém que reúne essas valências.

Movimento de meio campo

Com a utilização de um meio campista na contenção, abre-se caminho para a entrada de um jogador de centro com a capacidade de combate e mobilidade de um construtor. Matheus Fernandes, Ramires e Bruno Henrique são atletas capazes de gerar fluxo de bola, de praticar um passe mais vertical e de chegar à área adversária em condições de conclusão. Você acrescenta atletas às ações com bola sem perder eficácia de marcação.

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Geração de passe

Projetando um time que busque a casa dos 70% de posse de bola, o Palmeiras precisa de opção de passe. Movimentos que gerem espaço e alguém em condições de receber. Daí frutifica a dupla de volantes que “joguem com a bola” ao invés de atletas de mais combate ou até de menos mobilidade. Só assim, a criação poderá fazer com que a bola circule e seja mantida por mais tempo.

Meia despressurizado

A criação não ficará condicionada a uma pessoa. Essa figura central que ficou tão assolada de tarefas e com pouco êxito. A marcação precisará se dividir com outras preocupações e o cérebro poderá estar mais próximo do gol, sem obrigações tão ligadas ao começo da jogada. Poderá jogar com mais espaço, mais oferta de bons passes e mais liberdade para deixar pontas e atacantes em condições.

Chances

Diante dessa construção de time que vem desde a defesa, o resultado natural deverá ser a criação de mais e melhores chances de finalização. Desde a chegada de mais gente ao ataque até à melhora dessas chances. Diversificar, gerar dúvida na marcação, incomodar. A efetivação de um processo que se inicia lá atrás.

O projeto é, de fato, muito interessante e vai requerer bastante tempo. Sem mudança importante nos nomes, esse novo time terá mudança de estilo em todos os setores do campo e isso vai demandar treino, tempo, paciência.

Fato é: a modernidade está em pauta. E em execução.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.