Gabriel e Mariana, o Dia da Paixão Palmeirense

Gabriel e Mariana, o Dia da Paixão Palmeirense

Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo Verdão?
E quem irá dizer que não?

Gabriel e Mariana um dia se encontraram em jogo contra o Avaí e conversaram muito mesmo pra tentar conhecer melhor o Palmeiras.

Um carinha de arquibancada parceiro do Gabriel do Allianz que disse “tem uma partida legal, a gente quer cornetar”.

Jogo estranho, com zaga esquisita, “eu não tô legal, não aguento mais esse time”.
A a Mariana riu e quis saber um pouco mais sobre o sambista que tentava impressionar.
E o Gabriel só pensava em mandar aquele lateral pra casa “é quase meia hora e a gente vai se ferrar”.

Gabriel e Mariana trocaram Whatsapp e decidiram se encontrar em todo jogo em São Paulo e também fora da capital. Gabriel não queria o Mago mas a Mariana sugeriu a volta de Valdivia.

Se encontraram então no melhor Parque da cidade. O Gabriel achou estranho, mas ela tinha tinha verde no cabelo.

Gabriel e Mariana eram nada parecidos. Ela é caseira e ele da rua. Ela gosta de sushi e ele de churras e feijuca.
Ela não dá bola pra Seleção e ele ama a Verde Amarela, mas odeia quando o Verdão amarela.

Ela curte rock, pagode 90 e todo tipo de som, mas ele só no samba raiz. Partido alto é o que rola na playlist que não toca clássico nem do Coldplay e muito menos Liszt.

E mesmo com tudo diferente veio mesmo, de repente, uma vontade de se ver. E os dois se encontravam todo dia, e a vontade crescia, vamos ver a Academia.

Gabriel e Mariana viram o Palmeiras no Palestra, no Allianz, outros campos e cidades, pela TV e pela internet.
A Mariana explicava pro Gabriel coisas sobre o Divino, a grama, o Evair e o Jumar.

E os dois comemoraram juntos o Prass, o Jesus e o deca do Felipão,
E também brigaram juntos muitas vezes depois, Valdivia sim, Mago não todo dia.
E todo o Palmeiras diz que ele completa ela e o campeão versa, que nem a Academia de Dudu e Ademir da Guia.

Ajudaram a construir um Allianz há cinco anos atrás, mais ou menos quando os títulos vieram. Têm a mesma fé e vão à missa juntos na aliança do amor no céu e Palmeiras na grama.

Gabriel e Mariana vão pra praia que amam, comem hambúrguer com batata frita, botam ketchup na pizza, veem filmes de super heróis, e desfilam no Carnaval de rua e nos carnavais do maior campeão do Brasil

Nessas férias não vão poder viajar mas vão trocar mensagens e ideias. Porque é assim que a gente junta quem é tão igual de tão diferente. Os pais dos futuros porquinhos vão ficar em casa de recuperação neste Dia dos Namorados.

Quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo campeão do século? E quem tem mais tem 10 irá dizer que existe razão...

(Eu vi essa foto na internet. Corri atrás dos fotografados. Gabriel me passou a história do dia de chuva quando ele tirou o nosso manto pra cobrir a amada como ele sempre nos protege das tormentas. Prometi texto pra foto. Me veio Legião na cabeça. Falei pra ele. Esqueci de completar. Letra grande... Esta semana ele me pediu pra dar pra Mariana no Dia dos Namorados. No Dia da Paixão Palmeiras.

Promessa não é dívida. Palmeiras não é dúvida.

Não preciso desejar feliz Dia dos Namorados para ninguém. Muito menos um feliz 12 de junho para quem ama o Palmeiras.

Aliás, eu não amo o Palmeiras. Eu Palmeiras o Palmeiras. O Palmeiras não é sinônimo de amor. O amor é que é Palmeiras.

  • Mauro Beting

    Mauro Beting

    Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 16 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV.