Henrique: O herói que não voa, não tem capa, mas tem Palmeiras

Henrique: O herói que não voa, não tem capa, mas tem Palmeiras

Quem me dera ao menos uma vez, uma só, ser capaz de explicar o que ninguém consegue entender, ou aquilo que quase ninguém consegue ser. Quem me dera poder confortar o coração de quem não entende o porquê sofre, mas que encara o sofrimento com a maravilhosa inocência de uma criança. Quem me dera tirar dele toda a dor, mas cabe menos a nós. Cabe, porém, que de outras maneiras, façamos aquecer esse coração.

Henrique, herói que não voa, não tem capa, não se enfurece e esverdeia, não solta raios poderosos pelas mãos, mas atinge qualquer um com o poder do olhar. Com a simplicidade de quem viu pouco tempo de vida, mas a compreende muito profundamente. Superpoder de sobreviver, como o Capitão América que existe no universo da telas e na fé do pequeno que resiste dia a dia, contra um mal da realidade. Da vida real.

No hospital Itaci, de São Paulo, uma gigante alma de amor cujo coração bate em preto e branco, levou a história de Henrique para o Brasil. Gravou um vídeo vestido do personagem da Marvel e perguntou ao pequeno qual era o sonho dele: poderiam ser tantos, poderia ser um relato desgostoso da vida, mas com um sorriso arrebatador, ele disse que era conhecer Felipão e entrar em campo com o time do Palmeiras. Unidos pela vida, eles foram vistos e hoje foi o dia em que o sonho e a realidade se cruzaram em minutos de cinema.

Não existe filme sem música e a legião de heróis que encanta Henrique, no cinema e no futebol, teve um representante nos acordes que um dia disse: “quem me dera ao menos uma vez, provar que quem tem mais do que precisa ter quase sempre se convence que não tem o bastante..” e essa sexta-feira marca uma enorme lição em todas as artes.

O elenco alviverde foi até Henrique. Seus ídolos de verdade, de carne, osso, camisa e bola. Não sabemos o que a biologia pode apontar sobre como um grande momento pode agir na cura de uma doença tão grave quanto o câncer, mas temos a plena convicção que as memórias de uma criança são capazes de moldar o futuro dela e de todos que estão ao redor desses minutos de absoluto amor. Só isso. Não sobra espaço para mais nada.

Henrique, meu herói, todo mundo estará ao seu lado. No cinema, na música, do prédio dos Vingadores, no Allianz Parque, na beirada da sua cama. Aprendemos tudo sobre o mundo em uma fração de segundo quando vemos uma história de vida. Não é sobre o fim, mas sobre como, sobre começo e sobre amor. A gente te espera de braços abertos lá, onde você sonha estar e onde, a partir de hoje, a gente sonha te encontrar.

Juntos.
Como seu time.

Dos seus fãs,
Nosso Palestra.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.