Idolatria, respeito e ingratidão

Idolatria, respeito e ingratidão

Será outro daqueles dias em que a tensão estará em cada segundo do pré, do durante e do pós. Uma batalha. Eles, em grande momento, descansados, focados em Palmeiras. Sob a tutela de alguém que sabe todas as entrelinhas do líder. Sabe o prefácio e as dores da conclusão. Ele sabe quem somos todos nós. E foi justamente por sabê-lo que uma conversa aconteceu.

Centro de treinamentos Rei Pelé, Santos, São Paulo, quarta-feira, 24 de Outubro. 17 horas.

Na beirada do gramado, com as atividades finalizadas, um amigo chama Cuca e diz: “professor, esse aqui é Palmeiras”. Ele vem até mim, estende a mão e surpreende pergutando se estava tudo certo no Palmeiras, sobre como estávamos. Explico que sou apenas torcedor e um cara grato demais aos momentos que o título de 2016 trouxe. Ao que ele e a calça vinho proporcionaram.

Com sorriso tímido por sentir que o terreno era menos verde que o necessário para aquela conversa, ele muda o papo para o time que dirige e lembra que em brve nos veríamos no Allianz, mas o coração fala alto e ele busca saber se será bem recebido no retorno, como uma dúvida bastante humana. Um silêncio ensurdecedor ecoa até que eu não hesito em dizer “claro que sim, professor, todos nós somos gratos por tudo”. Ele sorri e une as mãos como que em sinal de alívio, de paz.

Somos interpelados por outros jornalistas que tinham muitos outros assuntos pendentes para tratar com ele. Não houve um final daquele assunto, mas não precisaria. Tudo fica dito quando se nota verdade no olhar de quem sente o que fala. Por mais que não seja o padrão, Cuca, divulgar um papo à paisana, minha religião Palmeiras pede que todos os leais saibam que existe sentimento nesse mundo. Perdoe.

Dias depois, uma eliminação depois, um time desgastado depois, a véspera do reencontro.

Palmeirense, amanhã existe uma guerra contra Santos e contra Cuca. Há que se vencê-los de toda maneira. Há também que saber separar. Idolatria não se mede. É pessoal e incontestável. Ele pode ser ídolo de alguns, poucos ou muitos. Não fiscalizem esse sentimento. O respeito, esse sim, será geral. Um aplauso honesto diz tudo. Significa o momento. Olha pro passado, acena e agradece, mas vive o presente.

Ingratidão é o pior dos sentimento. Não se deixem levar. Começar a vencer o jogo, o campeonato ou a vida é através de gestos. Essa conquista que o está a sete passos de nós, e já esteve a sete passos dele, tem um capítulo histórico amanhã. Vivam tudo da melhor maneira.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.