(Foto: César Greco)

Jogo da oração

A tensão dominou absolutamente o ambiente físico e mental de um jogo que valia um turno, que valia complementar de fato e de Palmeiras o que é sobreviver a todos os desafiantes de um campeonato selvagem. Diante de um mesmo adversário que abriu as portas para que o trabalho, que mais do que nunca, caminha para uma conquista. Ainda que alguns insistam em fechar de birra e de mal gosto, os olhos para tal.

Foram 40 minutos de um time técnico e consciente que buscava se assentar e colocar na chuteira a qualidade que mais tarde resultaria em 8 pontos sobre o segundo colorado. Ou colocado. Aos trancos e barrancos, aos dribles bonitos de Diogo que esbarram em uma dividida na qual os Deuses que cuidam das taças ajudaram com que a redonda chegasse nos pés de quem pede “bendiciones” em todo jogo.

Em ritmo de oração, Borja faz o que o time de Felipão mais faz. Resolve uma dificuldade. Encaminha uma estratégia.

Cauteloso, mas vibrante, o Palmeiras refez o ambiente em um segundo tempo que iniciou-se em outro clima. Bem mais leve e convencido, mas sob análise, como bom verde que é, comemora com medo e tem confiança na sorte. Na competência. Sabia que a vantagem seria suficiente para conquistar um passaporte sem volta para a galeria dos dois dígitos em taça.

A estrela desse treinador cujo prêmio de consolação é ser o último campeão do mundo de SELEÇÕES e dono do coração de uma nação e ser quem caminha a passos distantes para a conquista, merece ser estudada. Ou aplaudida. Certamente celebrada. Felipe Melo vem a campo e no primeiro toque na bola, enche o pé nas críticas e no outros, acha o ângulo e faz o segundo.

De lambuja, Luan anota o terceiro pra consagrar a lei do ex-jogador do Fluminense na assistência perfeita de falta. As faixas que descem por todo o Allianz Parque, uma oferenda ao passado desse mesmo terreno que foi ênea. A essa mesma arquibancada que desceu o mosaico de Fernando Prass. Esse mesmo ambiente que estava tenso. Agora, INTENSO, não se contém e canta:

“Seremos campeões”

Não falta muito, não faltam grandes passos. É como em 2016, no jogo da oração em que o time ajoelhou-se para celebrar o passo fundamental rumo aquela taça. A do Cucabol. O time do jogo feio, que já perdeu mesmo ganhando, ignora o mundo lá fora. Reza, agradece e celebra.

Tá chegando a hora.

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