Por aqui, dissemos de tudo. Carta, crônica, fábula, lamento, fado, música, festa. Tudo sobre você. E provavelmente tenha sido pouco. Quanta alegria junta, quantas pequenas briguinhas que só existiram pra que a reconciliação fosse ainda mais intensa.

A cada gol, a camisa quase arrancada à fórceps enquanto corria desgovernado como quem dominasse completamente o momento e o ambiente. As pernas curtas que trançavam na hora do êxtase, o grito incontido de quem poderia vibrar por anos, sem parar. A última vez, em 2018, a primeira, em 2015, tantas e tantas nesse meio de tempo que fez o meu melhor Palmeiras.

Perdoem-me, Edmundo, Botelho, tantos espetaculares senhores que fizeram meu time ter a camisa 7 tão bem representada, mas aqui fala um fã com um ídolo e por isso, sem a maior lógica ou raciocínio como linha textual. Fala a paixão de quem pensava assim: “será que nunca vai ser? Será que não vai ganhar?”.

Na voz fina e frases grossas, no pouco menos de poucos metros, mas no agigantar diante de qualquer dois pés de altura que tentasse nos deter. Errou por excesso, pecou por querer demais, como vocês fizemos, e não errei ortografia, erramos porque desejávamos muito. Empurrar o juiz era a forma genuína de berrar pro mundo dizendo a inconformidade em perder. Existe algo tão Palmeiras?

Certa vez, escrevia sobre como Dudu era uma história de Dom Casmurro. História de amor que, como todas, não tem verdades. Há versões. Há situações. O amor e a ciência não são amigos, eles são intimamente rivais. Há quem diga que a modernidade seja cruel por ser efêmera. Não guarda memórias, não finca raizes, não cultiva sentimentos. Tudo acaba, tudo é volátil na velocidade de um enjoo. A novidade apaixona e aprisiona. O costume envelhece e descarta.

A vida comprova essa tese.

Perder nos pênaltis para o Santos. Vencê-los nos pênaltis. Ouvir impropérios que deixavam a todos, putos. Ver a cara de ódio do baixola quando encontrou os gols naquele dia 2 mais feliz da minha vida. Da sua, aposto. Subiu as escadarias do Allianz Parque e abraçou os seus, que somos nós, sentia cada palmo daquele momento. Internalizava energia que emanava do chão. O resto, é história. E essa, não acaba. Não se desfaz. É eterna porque é puramente de idolatria, paixão e amor.

Os choros sempre importam demais. Antes de embolsar o coração daquela torcida tão carente, Dudu havia chorado como criança, semanas antes, nas semifinais diante do Fluminense. A lágrima que materializava pra todo mundo ver o sentimento que aquele cara recém chegado dava ao que passava. A quanto tempo o Palmeirense não esperava ter em campo alguém que sentisse por ele?

Quantas camisas 7 existem em um dia de Allianz Parque? Quantas crianças não querem ser o cara que foi o capitão do time que tirou 22 anos de fila. Craque da competição. Craque da vida. O chapéu que tirou pro Pacaembú enlouquecer diante de quem não suporta o verde.

De quem não hesitou meio segundo em chutar uma bola improvável do meio campo para encobrir Dênis e lembrar da valsa. “Toda vez que vem aqui, leva de 4”. Como joga, como provoca, como transpira Parmerismo ao correr até o pleno esgotamento. Não cansa, não machuca. LUTA.

Valeu, Dudu. Sabe-se Deus se a essa altura, você pode estar a caminho de uma nova aventura pelo mundo, em corpo, mas fica a plena certeza que o coração fica. Maior símbolo de um Palmeiras campeão. O melhor que minha geração viu.

Obrigado por resgatar o orgulho de ser o maior campeão desse país. Verde, cor da inveja, de Dudu, do camisa 7 que poderia ser pra sempre Palmeiras.

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