Liberem a rua, ganhem a festa

Liberem a rua, ganhem a festa

Foto: Amanda Honel

Parece matéria de pré primário, retomando as mesmas lições, as mesmas histórias, os mesmos conceitos, mas é confirmar o desejo de algo que se faz necessário, imprescindível, inerente ao Palmeiras. A gente precisa poder torcer, precisa de respaldo para fazer o primeiro dos gols que precisamos para ter uma final no Allianz Parque. Não há alviverde nesse mundo que não saiba que superamos todas as superioridades técnicas e táticas do Santos naquele corredor de gente que cantava, que se esguelava e fazia fumaça, naquele momento que fez os caras terem a conviccção que a noite seria mágica.

É começar com uma vantagem que não se pode igualar.

Não há raça argentina que supere, no máximo equipare, um espírito preenchido de lealdade, de incentivo, de compaixão, dessa conexão que se constrói na mediação entre atleta fora de campo e torcedor fora da arquibancada. É o momento em que os status se nivelam geografica e emocionalmente. São seres humanos que se encontram e firmam alí, no visual, no sonoro e no sentimental, um acordo de luta e resistência. Um pacto que o apoio virá e que lá dentro, tudo o que for possível, acontecerá. É a essência do futebol do povo pro povo.

Se é diretoria, se é polícia, se é o raio que pode cair pela segunda vez no novo estádio, seja quem forem vocês, a violência temida existe quando um direito some. Uma declaração de amor é calada. Esse povo que só faz torcer, e sofrer, quer alegria, quer proporcionar cenas históricas que invadirão os vidros do ônibus dos nossos. Só isso. Vocês sabem que podemos, que vocês podem e que a truculência é, no máximo, uma compilação de má vontade e pouca empatia para quem faz existir tudo isso.

Liberem a festa.

O corredor alviverde é uma entidade espontânea de uma família que quer ajudar. Que fica verde de raiva em ter que olhar pelo Twitter que os caras chegaram com fones de ouvidos pra uma decisão. O corredor são as fumaças que eu e meus amigos compramos para que meu atacante entre sujo de torcida, entre inalando o que sentimos. Que cheguem com muita raiva, mas só de pensar em perder. É nossa maior chance de sairmos de lá vitoriosos. E em paz.

A violência está nos olhos de quem vê. E não torce.

Tags:
  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.