Nosso sonho. Palmeiras 4x0 Fortaleza

Nosso sonho. Palmeiras 4x0 Fortaleza

Quatro ou cinco, era o número na vela de aniversário. A família cantarolava os parabéns e alguém no fundo do salão gritava: “faz um desejo, pede pra que um sonho seu se realize”. Foi cumprida a tarefa mística antes de cortar o bolo que marcava a data importante. Aqueles segundos de sonhar viriam contar uma história e tanto, tantos anos depois.

Era o pedido pra que o lazer fosse trabalho e que o trabalho fosse prazer. Era o sonho absurdo e inconsequente de querer ganhar a vida com aquilo que traz sentido pra ela. Quisera Deus que esse dia chegasse e fosse premiado pelo melhor momento do ano que marcou essa revolução história.

O Palmeiras teve seu dia de celebrar a resistência. E viu seu jogo ser levado ao mundo pelos profissionais que tanto o amam, e não protegem, mas fazem justiça com a realidade. Os melhores noventa e poucos minutos do alviverde no até então inconstante ano do campeão do ano passado.

Com Dudu e Ademir trazendo a taça pro gramado que já tinha o pai desse projeto e algumas das melhores mãos e cabeças, o Brasileirão do Palmeiras começou com Goulart, mas o camisa 11 durou poucos minutos. Contundido, deu lugar a Zé Rafael, o dono da vitória que viria a se construir com o gol do meia, em bom giro e chute cruzado.

Rapidamente, o alviverde manteve uma pressão nada habitual, e muito desejada, pra cima da equipe de Rogério Ceni, velho freguês do novo estádio. Ainda no primeiro tempo, sobraram chances de aumentar o placar, mas o curto placar encerrou a primeira etapa que poderia ser menos errática pelos homens que apitam.

Nos últimos 45, o Fortaleza foi às cordas. Absolutamente intenso, o alviverde não deu trégua. Quanto teve a bola, e não foi pouco tempo, buscou o gol. Como aquele do começo do texto buscou a conquista. Buscou o sonho. Não parou. Não se acomodou. Incomodado, foi além e chegou ao segundo em bela jogada do veterano e inteligentíssimo Marcos Rocha que começou e terminou o lance do gol.

Poucos minutos depois, o lateral das mãos de ferro chutou com a direita e a esquerda, o lateral por toda a grande área até encontrar a cabeça do dono da vitória. Zé fazia ali o terceiro. E tiraria o sono e o sossego de quem só vê problemas na forma de fazer gol. Enquanto isso, o alviverde vai somando taça.

Por fim, já com Lucas Lima e Hyoran, o Palmeiras chegou ao quarto em momento que rememora os sucessos de 2018. Bruno Henrique, que fez excelente jogo, chegou na grande área e finalizou com classe, no canto do goleirão. Era o fim dos melhores minutos do que o Palmeiras pode fazer de melhor. Aquilo do qual falávamos e pedíamos. Segredos do campeão.

E ser campeão é uma missão a se cumprir daqui a um bom tempo, mas a sensação de vitória vai além do campo. É sentir que o que a gente ama, foi amado como produto, como objeto de trabalho. É ver que as mesmas mãos que colocam esse Nosso Sonho no ar, colocaram o Nosso Palestra pro Brasil inteiro ver. Noite histórica.

Noite de Palmeiras. Do melhor do Palmeiras.

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  • Gabriel Amorim

    Gabriel Amorim

    Gabriel Amorim, 28 anos, detesta quem assiste ao jogo sentado e tem como grande ídolo Armando Nogueira. Formado em Jornalismo pela UMESP em 2012, cobriu a Copa do Mundo da Rússia pelo jornal Lance!