Nunca foi santo. Mas Marcos levou 8 mil para um shopping.

Nunca foi santo. Mas Marcos levou 8 mil para um shopping.

2h20 da manhã. Três mil livros vendidos, mais de 8 mil pessoas (não só palmeirenses) tentando ser presentes na Saraiva do Shopping Eldorado. A primeira delas desde 9 da manhã. Algumas ficaram mais de 10 horas na fila. Muitas chegaram para o autógrafo no livro “Nunca Fui Santo” e para a foto com Marcos com a obra editada pela Universo dos Livros já lida. Tamanha a fila. Tamanha a emoção de tocar no cara que, agora, reformulo: é santo! Ficou 8h15 assinando Marcos. Embora, no fim, ele já quisesse escrever “Ademir da Guia” só para variar. Deus que esteve entre nós. Como Rivellino que não conseguiu entrar. Edmundo também não. Mas estiveram Osmar Santos, Tirone, Belluzzo, Serra. Grandes palmeirenses. Grandes torcedores. Grandes pessoas como todas que esperaram a grande fila de grandes pacientes.

Mas pouco antes de terminar a sessão, que acabou 2h45 da manhã, Marcão ouviu o zilionésimo pedido de assinatura numa camisa do Palmeiras. Mais que isso: numa camisa dele. A pedido da organização, do Juan, do Ricardinho, do Edu, da Marcia, de tanta gente que ajudou demais, como os seguranças, como a turma da livraria, era proibido autografar algo além do livro. Até para respeitar os tantos que vieram e chegaram. Os tanto que vieram e nem perto da loja chegaram. Como seu Joelmir e dona Lucila, meus pais. Como Luca e Gabriel, meus filhos. Juro! Acho que autografei apenas uns 30 livros para amigos. O resto não conseguiu chegar. A todos, muito grato por tudo.

Mas, então. Aquela muvuca que eu mesmo tive de, por duas vezes, subir num banquinho para tentar acalmar as centenas de devotos de São Marcos de todas as cores e credos. Berrar só com o gogó para as pessoas terem ainda mais paciência por uma causa santa. Num desses discursos, a intenção do shopping, livraria, PM e editora era pedir para as pessoas voltarem para casa, que não seria possível dar tanta atenção e carinho que recebíamos. Que o Marcão era 10. Melhor: era 12. Ele assinava um por um, mandando os nomes das pessoas nas páginas do livro, abraços, a assinatura padrão. Mas, na hora, vendo aquele oceano verde, preferi pedir ainda mais paciência. Santa paciência. Que no final valeu demais.

No fim, tivemos de agilizar. Havia até um carimbo em letras verdes para ser mais rápido. Mas o Marcos quis atender todo mundo. Eu também. Sabia que ficaríamos até umas 2 da manhã autografando. Só não imaginava que fosse até 3 da matina. Só não esperava mais de 8 mil pessoas. Não são palmeirenses. Muitos – ou todos – devotos Dele.

Inclusive uma senhora que chegou lá na mesa pelas 2h20. Ela queria o autógrafo também na camisa branca e dourada do Marcão. O pessoal que nos ajudou pediu para ela ter paciência, pegar em outro dia... Mas ela insistiu:

  • Marcos, meu querido, pelo amor de Deus! Eu estou há 40 horas acordada. Há 12 horas em pé! Vim direto do enterro da minha avó lá no interior só para te ver!

O nosso santo recanonizado voltou a honrar o nome do livro...

  • Minha senhora, se eu for dar mais autógrafos nas camisas das pessoas, pode esperar mais uns 15 minutos que você vai poder ir ao meu enterro também...

E todos caíram na gargalhada. Isto é Marcos. Isto é Palmeiras. Os nomes do maior lançamento de livros da história do Brasil. O cara que na coletiva há 6 anos disse que nao tinha lido o final do livro que levou 4 meses para NÃO ler...

O moço que foi beijado e abraçado por mulheres e homens, crianças e mais idosos.

  • Marcos, nós te amamos!

Foi um dos coros que ouvimos na mesa. Para a resposta típica marcante:

  • Obrigado, gente, mas eu começo a pensar, depois desta noite de autógrafos, se isso é bom ou é ruim...

E muitos risos. Tantos quanto os choros compulsivos. Os beijos na careca – dele. Os beijos na mão direita. As imitações da narração de José Silvério no pênalti da Libertadores de 2000.

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E tome foto. Mais de duas mil. Todas disponíveis no site da Saraiva gratuitamente. Marcos e eu lá na mesa com sorriso de Coringa do Batman a cada foto. Tão mecânico quanto o autógrafo que nos dá tendinite hoje. Mas um prazer pra sempre.

A filha do santo Anna Julia ficou até 2h45 em pé, orgulhosa pelo pai, pela grande pessoa que é o Marcão. Também tirando fotos. Pedindo para o pai ficar “mais bonito” nas poses.

  • Filha, você vai ver como eu vou ficar ainda mais feio no fim do dia.

E o fim chegou. Ele me deu um autógrafo no meu livro – no nosso livro, escrito por mim, Danilo Lavieri, Marcel Alcantara e Henrique Cabral. Esse da foto do post. Eu também dei um autógrafo a Marcos – que ele pediu. E acho que posso parar o relato por aqui. Para não dizer a minha vida. Não a profissional. Mas a mais importante: a vida palmeirense. A melhor das vidas.

A todas as minhas vidas que tentaram chegar. A minha vida Silvana que estava longe mas tão perto do coração. A todos. Muito obrigado. Muitas descupas. Muito Marcos.

  • Mauro Beting

    Mauro Beting

    Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 16 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV.