Nunca vamos esquecer

Nunca vamos esquecer

Foi assim que Antônio, um pai da Mooca, um paulistano que não tinha lá muito gosto com o futebol, definiu uma tarde de Allianz Parque ao lado de sua esposa, uma corinthiana convicta que traz as cores do time que ama nas veias de toda a família. Ou quase toda. O pequeno Enzo é o protagonista dessa história que Scorsese algum seria capaz de produzir. O conta de fadas das quatro linhas.

A família dela, em cujas veias corre o amor que incontrolável de torcer, fez o possível. Queria do herdeiro a nova versão desse sentimento que os construía. O pequeno, intransponível, já tinha escolhido que suas cores não seriam aquelas. No coraçãozinho ainda inocente, sentia o verde e o branco com mais amor. Não sabe o porque, mas tem certeza dessa escolha. Clubes são escolhas da alma. E apenas dela.

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Enzo não conhecia o estádio do seu time. Nunca havia estado perto de tudo aquilo que já aquecia seu coração. Visitou a casa do time pelo qual a mãe torce. Ganhou todas os mimos com aquelas cores. Não sentiu. Não estava em casa. Não era ali que deveria viver o resto de sua breve vida como torcedor. Esperava o dia de estar ao lado dos seus, ainda que nem os conhecesse. Por mãos e corações tão verdes quanto os dele, o dia chegaria.

Acompanhado do pai que nunca foi afeito ao futebol e da mãe que olhava, até então, aquela casa como terra do rival, Enzo viveu o sonho. As imagens que seguirão esse pequeno e sincero texto falarão melhor sobre tudo. Faltam palavras, faltam parágrafos ou explicações. É a justíssima frase de só se pode sentir e não explicar. Ainda que o relato de Antônio já diga muita, mas muita coisa.

“Estava mais nervoso que ele. Nunca torci tanto. Todos nós. Foi muito intenso e gratificante ver a alegria dele. Experiência fantástica. Gritei mais do que ele. Não temos palavras.”

Nem nós. Sinceramente.

Obrigado, Antônio. Obrigado, Enzo, por reavivar em nós o verdadeiro porque de amarmos tanto esse jogo, esse time, essas cores. É por sonhos como o teu que devemos seguir plantando sentimento e ignorando rispidez. O futebol é o conto de fada da criança, é a vida do adulto. É a comunhão da família. É o amor que une, que celebra. É o que existe de melhor.

  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.