O dia em que tudo aconteceu

O dia em que tudo aconteceu

Foto: César Greco/Ag. Palmeiras/ Divulgação

A defesa foi insegura. O meio de campo não existiu. O ataque não funciona. O time não tem ideias. O treinador não mostra novidades. Tá tudo errado. Tem que mandar o Felipão embora. Esse elenco é papo furado.

Os dias depois no 2019 alviverde tem convivido com essas frases. Com esses alvoroços, esses rosnados. Não houve um período de grande paz ou confiança. Apesar do recomeço vindo de título, a nova temporada foi de instabilidade e um princípio de crise. Talvez rápido demais.

A noite de Libertadores traz boas coisas a serem vistas. A segurança de Luan e Gomez segue impecável. Como foi em praticamente todo o tempo da dupla. O paraguaio sabe muito das coisas. Faz os caminhos mais curtos, erra pouquíssimo. A solidez defensiva que trouxe o Deca, mesmo diante de um quase ninguém, esteve presente em Arequipa.

Felipe Melo é um titular de poucos porquês. Segue fazendo um bom trabalho pelo meio. Com a segurança e parcimônia de alguém experiente e que não parece viver lapsos brutos e inconsequentes. Ao lado de Bruno, que esteve mais próximo do momento ofensivo do time, a linha de meio campistas foi tranquila na jornada.

Sem Goulart, que é potencial craque do time, o onze alviverde trouxe um importante fato novo, ou quase novo, à criação. Dudu, Gustavo e Zé Rafa fizeram de tudo, bastante. Por lados variáveis do campo, não guardavam funções e faziam do espaço, chance. A pasmaceira de outrora foi barulho na altitude. Bom de ver. Importante que seja mantido em duas mais difíceis.

O homem do gol foi coadjuvante, ainda que honestamente, do open de bolacha pra rede. De longe, de canhota, no cantinho. De perto, de canhota, no cantinho. Do cantinho, de curva, na cabeça de Gomez. O chará Scarpa foi excelente. Nada que surpreenda no ótimo ano do meio, mas o elogio é necessário.

Ligado, intenso, esperto e coeso. Diante de um frágil rival, a imposição e a busca pelo gol são os parâmetros de quando tudo funciona ou não funciona.

Arequipa é Pompeia.
Lá, tudo deu certo.

  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.