O fetiche pelo novo que não se conhece

O fetiche pelo novo que não se conhece

Queremos novidades. Ousadia. Modernidade. Não aceitamos o passado, odiamos os padrões, renegamos ao antigo. Beleza, meu velho. O que é o velho? E, por sinal, o que é o novo?

Em qual momento eles se separam ou se cruzam ou se confudem e se assemelham? Seria um desejo inócuo pela moda - pelo simples tesão em reclamar? Talvez seja. Creio que seja, particularmente. O discurso tomou conta do país e da arquibancada, mas, fala aí, quem e quem? Porque?

E se o alviverde escolhesse para si um portuga aposentado que comentava jogos na televisão e que viesse para ser o mais velho treinador que as cores já tiveram? Asilo? Parado no tempo? Preguiçoso?Foi na moda do outro gringo que deu certo por aqui. Só pensa no caos geral que se instalaria pela alameda mais insuportável do Brasil. Senta um minutinho aí na poltrana e imagina essa cena pitoresca. Tinha futuro?

Tudo bem, tudo bem. O Portuga talvez fosse viagem demais. Escolhamos o argentino que esteve na moda. Não o que tentaram -falaremos em breve-, mas o do Inter. Coudet, o famoso. Chegaria ao Brasil e sua primeira indicação seria o Deyverson. É como se ele viesse ao Palmeiras e pedisse o Trellez. Sempre importante lembrar que ao lado dele, Rodrigo Caetano, que por aqui diziam ser "ao menos tem nome", teria trazido o possante Rodnei para assumir a lateral direita. Um ícone.

Dudamel. "Palmeiras recusa venezuelano por falta de confiança". A reação foi de desespero. O verde perdeu o Guardiola, parecia ser a verdadeira manchete. Ou o Klopp. Perdeu o ex-goleiro do América, bom de bola. Nove anos como treinador, seis como comandante de equipes profissionais. Sem títulos nacionais. Sem conquistas pela seleção. Qual a chance de não chamarem de estagiário? Qual a chance de sobreviver a um clássico perdido? A mesma de Eduardo Baptista.

Trouxesse o Tiago Nunes. O Roger Machado, né. Que vocês não suportavam por falar taticamente sobre futebol e por trazer coisas mais tecnicistas e menos emoção. Outro estagiário. Incapaz de cuidar de um elenco desse tamanho. Ganhar no Atlético é fácil, quero mesmo é ver se consegue ganhar aqui, ver se é tão bom quanto falam. Tinha tanto treinador mais barato por aí.

O ideal era o Sampaoli.

O mundo ideal. De dois milhões de reais. De regalias. De postura intempestiva, de pouco trato com as pessoas do clube, de exigências milionários com elenco. De não utilização da base, de escolhas polêmicas e muitas vezes intransigentes. Futebol intenso, entorno explosivo. Gênio. Louco. Salvação dos problemas. Livramento. Qual seria a verdadeira face do pacote Sampaoli que já foi a melhor opção e também o devaneio de um lunático?

O Luxemburgo é velho.

O Felipão é velho. O Jorge é velho. Jesualdo é velho. Ganhamos com velhos, com meia idade e com novos. O trabalho encaixa, o trabalho fracassa. O elenco responde a um estímulo e renega outro. Aqui é de um jeito, lá, de outro. Paizão, retranqueiro, ofensivo, polêmico. Nunca ganhou, ganhou tudo.

Nunca serve.
Nunca tá bom.

O fetiche pelo que não se tem é enorme, é inquietante.
É burro.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.