(Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras)

Alberto Valentim treina muito bem o seu time e faz com que seus atletas atuem da maneira como ele entende ser a melhor. Após a derrota para o Avaí por 2 a 1 na Ressacada, o atual treinador do Palmeiras fez questão de deixar isso claro na entrevista coletiva: “Um time organizado, que procura finalizar o máximo possível, que tem posse e que joga compacto”, disse sobre o Palmeiras que ele enxerga em campo. E todos nós enxergamos. Mas não há dúvidas de que essa ideia de jogo nem sempre dá resultado.

  1. COMPACTAÇÃO – Diante do segundo pior mandante do Brasileirão, o Palmeiras trocou quase o triplo de passes certos em relação aos números do Avaí. Foram 609 contra 208.
  2. FINALIZAÇÃO – Teve também o triplo de finalizações em direção ao gol. Foram nove contra três, sem contar o número de conclusões erradas, quesito em que o Palmeiras também foi muito superior ao rival (não que isso mereça elogios), sendo 12 tentativas para fora contra seis do Avaí.
  3. ORGANIZAÇÃO E POSSE DE BOLA – A consequência dos números citados acima foi o domínio da posse de bola, com 67% de média ao final da partida. Dividindo o jogo em períodos de cinco minutos, por exemplo, não há nenhum trecho em que o Palmeiras tem menos posse de bola do que o Avaí.

Esses três princípios bem ilustrados com números produzidos pelo Footstats mostram que a ideia de jogo do técnico Alberto Valentim está, de fato, na mente e nos pés do elenco alviverde. O problema, talvez, esteja na conclusão do lance. Repare no vídeo abaixo, em imagens que produzi direto do estádio, quantos passes o Palmeiras troca de forma ordenada até concluir as jogadas. Em seguida, repare na diferença das duas jogadas para a jogada do único gol da equipe na partida.

  • No primeiro lance, ainda no 1º tempo, o Palmeiras troca passes 15 vezes no campo de ataque até Tchê Tchê concluir a gol de fora da área.
  • No segundo lance, já no 2º tempo, são mais 16 passes no campo de ataque até a finalização.
  • No gol de Keno, Dudu realiza jogada rápida, individual e incisiva para arriscar de fora da área e gerar o rebote, resultando no gol do camisa 27.

O Palmeiras de Valentim trouxe características diferentes das que tinha o mesmo elenco nas mãos de Cuca, mas uma delas segue igual: a oscilação. O que funciona diante dos desesperados Atlético-GO e Ponte Preta, não funciona diante dos desesperados Vitória e Avaí. Porém, ao mesmo tempo, o time funciona diante de desafios teoricamente maiores como Cruzeiro, Flamengo e Corinthians, quando o time foi elogiado.

Nessa mesma entrevista coletiva após a derrota para o Avaí, Valentim afirmou: “Tudo isso que a gente fala de posse, de time organizado, de finalizar mais vezes é pra ganhar jogo”. Embora seja possível perceber o elenco assimilando as ideias do novo treinador, também é possível perceber a paciência da torcida se esgotando com os resultados do curto trabalho de Alberto Valentim.

Moisés chegou a lamentar, na saída da Ressacada, que essa oscilação da equipe está colocando em dúvida o trabalho do atual técnico. O futebol brasileiro sempre foi pautado pelos resultados e o desempenho pós-Cuca é de cinco vitórias, um empate e três derrotas. Seriam duas boas vitórias nos dois jogos restantes da temporada suficientes para convencer a diretoria de que não há motivos para contratar um novo comandante? Tudo depende das ideias de jogo de Valentim resultarem em excelente desempenho atrelado a ótimos placares.

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