Aos 20 minutos de jogo decisivo do Brasileiro em 27 de novembro de 2016, Zé Roberto desarmou um rival, driblou o outro, fez nova finta até sofrer falta rente à linha lateral esquerda onde passaria 23 anos muito bem corridos de carreira muito bem jogada. O maior público em então dois anos de Allianz Parque, 96 de estádio do Palestra Italia, e 114 de jogos no Parque Antarctica, começou a gritar que ele era “animal”. Como em 31 de janeiro de 2015 ele disse aos companheiros no vestiário do Allianz Parque, antes do jogo contra o Audax, que queria que todos um dia tivessem o nome gritado como Edmundo. Como naquele instante do 1 x 0 contra a Chape em 2016 o maior público em casa gritou para ele.

Um ano depois, no mesmo estádio, na mesma data exata, o ainda mais certo Zé Roberto teve várias vezes gritado o nome no coro animal. Na justa vitória por 2 x 0 contra o Botafogo, também pela penúltima rodada do Brasileiro, lutando agora pelo vice e não pelo campeonato de 2017, Zé voltou a ser o lateral pela esquerda. Jogou e bem os 90 minutos em que o time foi um pouco melhor do que o Botafogo na primeira etapa de muitos passes errados de Moisés, de algumas tentativas frustadas como Borja, e de duas ótimas chances para o gol de falta em tiro livre direto que há mais de mil dias o Palmeiras não faz. E ainda assim marcou mais gols que todos os times do Brasileiro desde 2016.

Na segunda etapa, o time do Zé foi mais eficiente e contundente e abriu o placar com Dudu, o mesmo que fizera o 1 x 0 contra o Botafogo na antepenúltima rodada do BR-16. E fechou a conta com mais um belo gol de Keno, o melhor custo-benefício de 2017. Aquele que não se esperava muito na temporada em que se esperava demais de todos.

O Palmeiras se fechou e administrou a vantagem sem sustos. Esperava-se a substituição do Zé para a ovação final. Ele ficou até o fim. Melhor assim. Ele é assim. Não precisa de protagonismo. Precisa apenas ser necessário como sempre foi.

No time galáctico do Brasil na Copa de 2006 ele era o menos badalado. E foi o melhor e mais regular da equipe jogando na função de segundo volante onde menos atuou. Mas não jogou menos.

Assim é o Zé. O que veste as chuteiras da humildade. A que ele descalçou e jogou para a galera para o torcedor que fez malabarismo para a guardar mesmo com o filho no cangote. A outra ele guardou como fez Julinho Botelho, há 50 anos, quando Djalma Santos se ajoelhou para tirar as dele para o maior camisa sete palmeirense desfilar pelo gramado na última volta olímpica de tantas.

Zé foi sozinho pelo Allianz aplaudindo e sendo aplaudido por todos ao se despedir. Como seria se rivais estivessem na arquibancada. Um cara como ele é vencedor independente da camisa que veste e do uniforme que vence. Saiu discreto como chegou.

Entrou e saiu com a camisa 11. Por sempre ser um dos 11. Querer fazer parte dos 11. Mas não ter a pretensão de ser os 11. De ser o primeiro. O um. O único. Também por isso foi raro.

Quando pediu na última preleção para que os outros 10 jogassem pelo camisa 11, ele só esqueceu de dizer que os outros milhões também estavam com ele. E vamos continuar jogando juntos.

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