Orgulho: o excesso desse Palmeiras

Orgulho: o excesso desse Palmeiras

Existem jogos que mudam os rumos de uma história por serem excessos. Hoje, foi excesso de Palmeiras, do espírito mais sanguinário que nos é peculiar. Ninguém sentou, ninguém arredou voz do campo para que mantivesse a bola distante do gol, longe do perigo, próximo da conquista. Pra onde se olhasse, a comunhão era absoluta, era coisa nossa.

É com arrepio nos braços que escrevo esse relato de quem esteve de alma, querendo estar de corpo, em meio a esse clima que fazia falta, esse tesão animal por vencer. Seja na situação que for imposta, com as piores dificuldades, seja com 9 dentro de campo, mas com 11, 15, milhões, incontáveis corações que tomaram de posse esse Palmeiras que foi na marra. Do nosso jeito.

Com o treinador que ignorou a física da idade avançada e colocou em campo o espírito de garoto sedento, guerreiro, enfezado em campo. Brigou na expulsão corretíssima, mas brigou para incendiar os outros, para criar a atmosfera e superar a idiotice que acontecera. Felipão é a melhor versão do torcedor alviverde, a mais doente e pilhada. A minha.

O gol. O imprevisível. O silêncio.

Não agora, não dessa vez, não mais um dia de Agosto com gosto azedo. Doce, muito agradável foi perceber o esforço extremo de cada cara em cada bola, como puxou gás sabe-se de onde, com a gana que vinha das arquibancadas que pulsaram, de fato e direito, em cada lance que o Tonhão 2.0 (que zagueiro!!!!) afastou, em cada comemoração nada contida.

Arquibancada que explodiu no solo de Dudu, o craque dessa década. Colocou a bola debaixo dos braços no momento em que restavam apenas nove de nós em campo e fez daquilo um lance para eternidade. Perseguido por cento e trinta e sete rivais, o Baixola escondeu a redonda e girou o relógio na marra, na técnica, na valentia. Momentos em que a real idolatria se consolida. Falar não basta.

Morto, mas de alma renovada e concentradíssima, a equipe se manteve absolutamente vivida em todos os instantes. Do primeiro, ao último minuto. O esgotamento físico em razão da incompetência individual foi suprimida pelo valor coletivo de uma equipe que voltou a ter unidade. Fibra.

Não sabemos onde essa jornada levará, mas que orgulho enorme de ver o meu time, o teu time, torcendo ao jogar, jogando como torcemos, compartilhando desse sentimento que não lógica nenhuma, mas que ama demais esse tal de Palmeiras.

Tags:
  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.