Um Sóbis, o outro padece

Um Sóbis, o outro padece

O jornalista tem de contar histórias e as faz da melhor forma que consegue. Muitas das vezes, diminui alguns tons, realça outros, transforma a palavra na sua forma mais suave para que o problema pareça menor, pareça mais fácil de resolver. Tem dias. Tem outros em que a verdade é tão ressonante, tão evidente, que a obrigação é colocar os pingos nos is.

Deu, né. Um dia é porque tal nome está em tal condição, tal estádio estava de tal forma, tal clima estava de tal blá blá blá. São 5 meses de instabilidade, de dúvidas, de dias de glória mínima, uma migalha de empanada Argentina. Dias de luta para seguir acreditando que os problemas são passageiros, são uma coisa fortuita. Nada tão chorão.

Mais uma noite de futebol, mais uma noite do mesmo esquema, dos mesmos nomes, na mesma praça, no mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim. Tudo é igual, mas estou triste, PORQUE NÃO TEM MUDANÇA, professor. Mais um jogo em que entramos em campo para o tal “jogo reativo”, um nome bonito para retranca em que se diz acreditar no contra ataque e o que se vê é só o contra. Só nosso goleiro trabalhando.

É mais um resultado ruim. Seria descartável caso o ontem tivesse sido bem feito. Se erramos o fácil, o difícil se torna obrigação. Foi com Sóbis, hoje, aos 30 do segundo tempo, havia sido com Rafael Marques, sábado. Até quando serão os outros fazendo que nosso desejo quase cego de apoiar se rebelem ao ponto de ver a verdade do presente covarde que vivemos?

Poderia existir aqui um material pós jogo, com dados, números, quilômetros, chutes, ahhhh que nada. Não se pode mais ter uma postura passiva de quem exige protagonismo de seus atletas. Jair Rodrigues, que não se escondia em grandes momentos, um dia disse assim: “deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem? Eu não to fazendo nada, você também..”

Se vocês não fazem nada, se o professor também, faz mal bater um papo assim bem longe do Palestra Itália? Parece um rito de passagem, mas rumo ao fim. Não existe crônica, poesia, boa vontade, cegueira, paixão ou torcida que resista. É quase nada pra essa gente que só faz, além de Palmeiras, sofreeeeeeeer.

  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.