Pagando o Pato

Pagando o Pato

Quando se busca algo e não se conquista, existe uma derrota. Ou quase. Não há como criar factoides ou termos atenuantes para classificar a questão. Excelente em tantas ocasiões, Alexandre Mattos não conseguiu convencer Alexandre Pato a vestir verde, ou provavelmente tenha sido convencido de buscar um negócio que nunca seria feito. Fez o que pode, ofereceu as melhores condições, mas o atacante vestirá tricolor por questões que não vem mais ao caso. E isso deve ser uma boa notícia.

Grupo coeso e consistente há quase um ano sob o comando de Felipão, esse Palmeiras tem um aspecto que parece imutável: sua lealdade com a consciência de unidade, de parceria e sem brilhantismo extra campo. A manutenção de estrelas que mantiveram seu rendimento dentro de campo e o pouco espaço para o mundo exterior.

Existe uma questão complexa que rondava a possível vinda de um nome tão representativo quanto Pato: o encaixe neste perfil. Em momento algum, o atleta se mostrou avesso à disciplina, mas sempre teve o aspecto de líder técnico de suas equipes. Foi a referência. Era pra quem a bola ia. E, tantas vezes, foi quem não foi capaz de tomar a dianteira nesses momentos. Foi frequentemente alguém que teve lapsos geniais e duradouros momentos sonolentos.

O Palmeiras de Luis Felipe é dedicação. É entrega de todos pelo bem comum da equipe. Não à toa que o talentosíssimo Lucas Lima sofre para ter espaço e carinho da super exigente torcida. Conhecido por preferir o dedicado ao brilhante, o conjunto comissão/fã não se mostravam em uma sintonia tão clara com o perfil de Pato.

Borja não convence. Pato é mais jogador. Fato! Ainda que honestidade vá muito além das quatro linhas e o colombiano siga irrepreensível nessa questão. Ao contrário do questionável quase concorrente.

Esse time que já se provou campeão com esse treinador ainda mais vencedor cansou de dar exemplo que o espírito a identidade são capazes de coisas muito importantes. Por meios tortos, a não vinda de Alexandre Pato pode ter sido um excelente reforço para não mexer em time, elenco e unidade que estão ganhando.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.