Palmeiras, Galo e o Twitter

Palmeiras, Galo e o Twitter

Ninguém tinha como ver o jogo que valia a liderança do Brasileirão. Só quem lá estava, sentadinho no Mineirão. Tudo beleza. Ouvisse pelo rádio que levou tanta gente boa pra Minas. Eu preferi a abrir a rede social mais corneteira e leal do Brasil.

Com 5 minutos restantes até que a bola rolasse, as @ alviverdes tinham certeza que o apocalipse se aproximava, afinal, cadê o Palmeiras na televisão. Faltando 3, sensatos lembraram que revolução não se fazia em meio ao conforto. Faltando 2, todos se uniram no pacto do ouvir. Faltando 1, rezaram o “Meu Palmeiras” pelas ondas da paixão e esperaram com que a redonda fizesse seu trabalho.

Chegávamos aos 10 minutos, e o Twitter já apontava que Deyverson merecia expulsão inquisitória da Pompeia. Havia perdido um gol digno da escala David. Cadê o Arthur? Cadê o Borja? E o Cristaldo? Não joga mais? Contrata o Gabriel Jesus, reserva lá na Inglaterra. Até o Leandro Pereira é melhor que esse rapaz desengonçado. E a pressão seguia. O narrador afinava a voz e buscava o ar. Igual o Galo, nas cordas.

Aí, meu rádio deu problema. Parei de ouvir o que acontecia por lá. O Twitter dizia que o Palmeiras não vinha em bom momento. Amarelados Raphael Veiga e Diogo Barbosa. A torcida começou a crer que o 5 a 1 do ano viria. Era dia em que tudo daria errado. Não era. Aos 41 do primeiro tempo, saiu o Gol Puskas 2019. A quantidade de berros e xingamentos em cada tuíte era uma enormidade. Só poderia ser um golaço.

Não demorou nadinha para que imagens clandestinas, torcedoras, mal filmadas e emocionadas surgissem na minha mesa para mostrar o belíssimo chute de Bruno, da entrada da área, na gaveta de Victor. O intervalo trouxe calmaria e muitas teorias sobre o crescimento vertiginoso do capitão nos últimos jogos. E como voltou a jogar futebol.

E imaginem a balbúrdia que essa timeline virou quando aos 6, de novo, Bruno fez o segundo e de novo um dito golaço. As imagens, ah, as imagens clandestinas que a gente ama logo mostraram que Dudu entortou Fábio Santos e Bruno Henrique colocou a bola com as mãos, pro fundo do gol. Como diria alguém que não pode dizer, nesse momento.

O resto do segundo tempo, segundo o passarinho, foi calmaria. Controle. Segurança. Tranquilidade. Gustavo Gomez ainda teve tempo para um desarme decisivo. No final das contas, quem lá esteve terminou dizendo assim: “como compra a ideia do seu treinador, esse time. Partidaça de vários. Grande vitória.”.

E o Twitter? Comemora.

27 jogos sem perder.
Líder do campeonato.
Em plena revolução.
Visto com o coração.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.