Quase 40 anos depois, a história se repete

Quase 40 anos depois, a história se repete

9 de dezembro de 1979. O Palmeiras visitava o Flamengo no Maracanã pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro daquele ano.

Meu pai foi ao Maraca de ônibus para ver o jogo em que todos já davam o Flamengo de Zico como o vencedor. Só esqueceram de avisar o Palmeiras do técnico Telê Santana.

112 mil pessoas no velho Maraca e a torcida do Verdão calou o estádio, naquela que para Mauro Beting está no Top 10 das maiores vitórias alviverdes da história.

4 a 1 para o Verdão de Jorge Mendonça e a vaga garantida na semifinal do Brasileirão.

27 de outubro de 2018. Quase 40 anos depois, foi minha vez de vir ao Maraca assistir Flamengo e Palmeiras.

O mundo e o Brasil mudaram bastante de lá pra cá. O Rio de Janeiro vive uma crise sem precedentes, onde a violência e a impunidade reinam.

Mesmo assim vim. Pelo Nosso Palestra. Pelo meu pai. E por essa campanha do Palmeiras de Scolari, que está muito perto do Decacampeonato brasileiro.

Meu primeiro jogo fora de casa como torcedor. Muita adrenalina. Mãe preocupada em casa. Não é fácil apenas querer se divertir nesse nosso Brasilzão.

Houve confronto com a maior torcida organizada do Palmeiras, a polícia do Rio de Janeiro mais uma vez despreparada, disparou até tiro de bala de borracha, que infelizmente acertou em cheio o olho de um palmeirense.

Uma bárbarie. Sem explicação. As torcidas adversárias são tratadas com muito respeito quando visitam São Paulo. Já no Rio de Janeiro é sempre a mesma história. Algo precisa mudar. Urgente.

Mas também teve jogo. Teve mais um gol de Dudu pelo Palmeiras. O camisa 7 nunca perdeu para o Flamengo nos seus quatro anos de clube.

Teve uma festa linda da torcida palmeirense, que mesmo após o duro revés para o Boca, compareceu em peso ao Maraca. Calando 60 mil flamenguistas e mostrando para o time que quarta-feira pode sim haver uma virada histórica.

O Palmeiras pode até não ser o time da virada algumas vezes. Mas com certeza absoluta, é o time do amor em todas elas.

Como diria Mococa, na lendária conversa com Pires após aquele 4 a 1 de 79: "Olha como estou tremendo no Maracanã. Tremendo de alegria".

Agora faltam 7.

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  • Gabriel Amorim

    Gabriel Amorim

    Gabriel Amorim, 27 anos, detesta quem assiste ao jogo sentado e tem como grande ídolo Armando Nogueira. Formado em Jornalismo pela UMESP em 2012, cobriu a Copa do Mundo da Rússia pelo jornal Lance!