Que saudade de você

Que saudade de você

Às vezes, reclamamos que faltou. Que fomos menos, que fomos abaixo, que não fomos o suficiente daquilo que é nossa essência. Encarar a noite de hoje exigia muito mais do uma mentalidade de disputa, envolvia um reencontro com nossa raiz, com nossos espíritos, nossos santos, rezas, choros e muito ódio do fracasso.

O clima era bélico, como deveria ser. Nada tão típico, tão nosso. Desde o sagrado hino nacional do Palmeiras, as vozes tinham energia, tinham lealdade. Foi aí que sobramos. Fomos além. Fora da medida de um jogo que era equilibrado, brigado, acirrado. Nós perdemos no desejo e fomos traídos por uma falha do enorme Edu Dracena. O gol desloucou ainda mais os ânimos que se tornaram incendiários. Era preciso tempo.

O intervalo foi coisa de San Gennaro. Todos entendemos, de fora pra dentro, do sangue nos olhos, da voz emlcionada e da concentração retomada. O Palmeiras retornou com o foco estampado no olhar, mas calibrado. Soava um sniper armado é apontado para a cara dos vigias da invencibilidade.

EXPLODIU. No cruzamento de Keno, aos nove minutos, número de função cujo nosso falso foi muito verdadeiro ao empurrar a bola guela abaixo de um irritantemente bem postado rival. Implodiu a confiança deles e libertou a confinada avalanche que é um Allianz Parque em dia de clássico. Lembram do inferno que deveríamos fazer da vida deles? O capeta era verde.

Tremeu o chão e as pernas de alguns onze, ou mais, que viram um porco louco seguir em blitz para aos 22 minutos Willian, o nove de verdade, soltar uma pancada cheia de raiva para afundar o ângulo esquerdo de Sidão. Sabe, torcedor, pausa na crônica pra confesssar que o dono dessas palavras ainda trêmulas sacudisse o chão do boteco em alegria. Como é bom te sentir, Palmeiras.

Insatisfeito com os dias passados, a fome era grande mais para acalmar. O ritmo se fez maior e mais intenso para cair em glória a Família mais feliz do mundo. Dos pés do ótimo Hyoran o cruzamento para que o maior momento do dia chegasse. Rever um amor.

Pelo amor de Deus, Dudu, que saudades desse animal que tava escondido aí. Da cabeça do camisa 7 para as redes do terceiro gol alviverde e para a comemoração INSANDECIDA do capitão, sempre capitão emocional desse clube que só coração.

É tudo isso sobre quem, qual ou quê é tão difícil escrever. Foi noite de sentir, de viver sinergia, confiança, lealdade, parceria e paixão. Noites assim só acabam de uma forma, com festa na Pompeia, com o grito que fez famoso esse time que vai, foi e sempre sacudirá essa cidade.

 

  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.