Queda dos discursos chatos de uma geração ainda imatura

Queda dos discursos chatos de uma geração ainda imatura

O discurso é cheio de enfeites e palavras complicadas. No dicionário de alguns técnicos brasileiros estão oportunizar, terços do campo, potencializar. São jovens professores – em início de carreira - ensinando jogadores com suas próprias apostilas. Criadores de métodos de ensino. São pedidos – como salvadores da pátria - por torcedores esperando o diferente. E tudo é muito igual no Brasil. O que eu lamento e me frustro, sinceramente.

É difícil entender as palestras de Roger Machado. É meia hora, uma hora de um texto cheio de requintes, mas pouca objetividade durante os jogos. O Palmeiras de 2018 segurava a bola e criava menos do que se esperava. Mostrou várias vezes pouca concentração quando abria o placar. E geralmente não segurava. Saía derrotado ou com o empate. O discurso, no vestiário, elogiava o desempenho dos jogadores e dizia que só faltou o gol. E não é verdade.

Felipe Melo não merece ser titular do Palmeiras. Isso vai ser tema de outro texto. É lento, esquentado e desleixado. Faz faltas pesadas e recebe cartões amarelos idiotas. No mais, o elenco tem muitas opções para todas as vagas. Para o gol, até. E cada um faria um time diferente de onze escalados no Allianz Parque. O escrete montado por Roger Machado não convenceu. E também não merece choro de despedida. Nem lamentação do palmeirense.

O mesmo vale para Jair Ventura. Não respeitou a ideia de jogo que o Santos criou durante a história. Na verdade, a culpa é da diretoria, nesse caso. Que buscava um profissional ofensivo e – sem qualquer entendimento ou estudo – trouxe Jair. Jair sempre priorizou as defesas. Prefere desarmar a driblar. Acho até mais capacitado do que Roger, mas com propósito que não combina com o clube. E a posição na tabela era vergonhosa. O trabalho foi muito ruim. O Peixe tem bons valores e merecia mais.

Roger e Jair são professores ainda engatinhando. E não os grandes mestres que os discursos tentam vender. A palavra “tempo” é mais importante do que a palavra “oportunizar”. Talvez tenha sido cedo demais.

(Crédito da foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras)

  • Guilherme Cimatti

    Guilherme Cimatti

    Guilherme Cimatti é repórter da equipe esportiva da Rádio Bandeirantes de São Paulo. Já passou por BandNews FM, Estadão, Globo e CBN. Sempre trabalhou em rádios, mas tem uma queda por crônica.