Se não fosse você

Se não fosse você

Você chegou e tava tudo bem. Muito bem. Tão bem que parecia um sambinha do Cartola. Uma poesia. Era taça, era festa, eram sorrisos e passarinhos. Era estádio cheio, associados aos montes, planos bons, cheirava dinheiro. Tinha o perfil do progresso, a receita do sucesso. Tinha bolo e festinha, tinha tudo o que queria. Pena que você chegou. Agora, parece um moinho.

Você é mimadinho. Mandou pra rua, o Rei. Ele mesmo que construiu o castelo, fez a fundação, ergueu os alicerces, trouxe as melhores mobílias. Assinou o cheque em branco. Pra descansar, queria uma cadeira na sala. Foi parar no curral. Tudo ficou pra madrinha, dona das moedas de ouro, pagas como prova de lealdade. De alma perdida como clássico fora de casa.

Você, querido, triturou as contas devagarinho. Trocou a honestidade pelo orgulho. Nossos sonhos, seu mesquinho, foi dando de bandeja em troca de um carinho. Cargo(zinho). Juscelino às avessas, trocou 10 anos pra 1. Pagar sem juros porquê? Bom mesmo é pagar com pressa, com desespero e cheio de jurinhos. Nem se fosse você o Bobby, do fantástico mundo, poderia ser tão fraquinho com as ideias de gerico.

Ainda é cedo, meu nobre, mas você já errou tanto. Mal começou a comandar já deixou todo mundo saber que não havia mais rumo pra seguir. Sua melhor aposta foi apostar na memória e se disfarçar atrás de quem é tão maior que você. Trabalho? Sorte. Escolha? Escape. Título? Disfarce. Austeridade? ...

Se escondeu atrás dos negócios. Culpou o negociador. Se escondeu atrás das derrotas. Culpou o treinador. Quem será que os contratou? Enloqueceu e fez promessas, nunca cumpriu. Prometeu jovialidade, escolheu o senil. Quis o gringo, perdeu o ídolo. O mundo todo já sabe, ele não se abre. Se esconde, se esconde e se esconde.

Vai perder o incontestável, mas já planeja o improvável. De alma vendida, de clube perdido, de caminhos escusos. Pobre dele que dizem ser diretor. Deveria se chamar escudo. Milagre ninguém faz. Desastre, também, não, mas tem gente que tenta. Tem gente que esforça. Tem que gente que capricha. Tem gente que é fora de série, que é mauricinho.

Um Tirone com grana em um clube de tiranos da grama.

Muita atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.