Síndrome de Peter Pan, Button e a vitória de Chapecó

Síndrome de Peter Pan, Button e a vitória de Chapecó

Aceita na psicologia, a teoria de PP diz sobre o homem que nunca cresce. Pessoa que por mais que já tenha biologicamente se desenvolvido, mostra rasgo de personalidade infantil e inconsequente. Sem comprovação sobre intenção ou acaso, é fato que a síndrome traz esses lapsos de rebeldia.

O fantástico mundo do futebol não faz o maior contato com a teoria de Dan Kiley, mas a noite de Palmeiras teve momentos que fizeram esse cronista pensar como esse time é substancialmente um Benjamin Button, mas com individualidades de pura PeterPanzice. A vitória contra os irmão de Chapecó reuniu momentos que valem uma reflexão.

Maduro, o esquete de Luís Felipe Scolari não fez força nos primeiros minutos de jogo. Parecia confiante de que naturalmente tomaria conta das ações. E assim aconteceu. Antes da metade da primeira etapa, Deyverson fez pivô pra Zé Rafael invadir a área e mesmo caído, achar Dudu que com categoria deslocou Tiepo para anotar o primeiro da partida.

Cozinhava a partida com um senhor experiente, mesmo com menos de dois anos de idade. Benjamin em estado puro. Até que um rompante de Pan, na figura de Deyverson, desmonta a calmaria e sem qualquer motivo, acerta a bola com a mão, dentro da área, gerando o pênalti que empataria a partida. É um conflito do mundo fantástico desse Palmeiras que mostra fragilidade nas coisas simples. Na individualidade.

Retomando a paciência e a experiência característica de seu comandante, o alviverde desempatou a parada em um rasgo de talento do excelente Marcos Rocha. Um chute de cinema em um lance de futebol de várzea. Coisa de quem sabe se adaptar ao local e às condições sem deixar de impor seu talento.

Em um segundo tempo seguro, como a torcida se habituou a ver, que me induz a chamar esse time de Button, o Palmeiras só sofreu por suas próprias ilusões infantis de pensar em falhar ou em alguns gols perdidos. É importante elogiar tanta qualidade, mas também é preciso ressaltar as fraquezas de quem ainda pode melhorar.

A máquina de ganhar tem brechas, mas elas vivem no próprio hábito da confiança. Um pouquinho de atenção ao momentos de Peter Pan, valorização do padrão de Benjamim e o futuro será ainda mais brilhante. Mais verde e mais branco.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.