Tango & Medo & Ânimo

Tango & Medo & Ânimo

A saudade é uma palavra portuguesa. O medo e a empolgação são o mesmo sentimento. Em inglês ou espanhol. Depende de como o encaramos. Se pra bem, o ânimo. Se pra mal, melancolia.

Dois pra cá, dois pra lá, o tango. A dança Argentina que pisa no drama, beija no êxtase. É você quem decide como encarar a situação. Sentir o o momento. Como o fado, o que você fizer trará saudade. Do que não fez ou do que fez e hoje faz falta. Não à toa, ela é uma palavra portuguesa.

Em prosa, em verso, em ritmo, em melodia. Escrevendo como música, deslizando sobre as ideias e pensando: porque foi melancólico? Quais os motivos para tal, lo cumparsito? Talvez a complexidade das sensações do ser vivo. Quando a empolgação se torna medo e carrega consigo a mesma intensidade. O êxtase do bom, feito mágica, vira o desesperado medo de falhar.

Dança, dança, dança, para. Olha. Encara. Sente. Sofre. Perde. Recompõe. Recomeça.

É como o tango. Esse flerte eterno entre o sucesso e o fracasso cujo sucesso fica dedicado ao caminho. A linha de passo é tênue. Um fio de cabelo comprido. Paletó à parte, é através dela que tudo se define. Se as coisas vão bem, a empolgação domina, a sanfona toca versos alegres. A vitória vem.

O acaso, implacável, semeia a parte melancólica do sentimento. A versão do pavor. Se algo der errado, meu amigo, sentimos o chão se abrir, a dama errar o passo, escorregar pela pista e o acorde desafinar. Caos. A pressão por fazer certo vem alimentada pela êxtase perdida. Intensidade convertida. E agora, como retomar aquele caminho?

Como a música. Pausa. Respira. Recomeça.

Não é o final da linha. Não é saudades pra sempre. Azar do argentino que não conhece essa palavra, mas eles têm a música certa para consertar a questão. Ê, Parmera, tranquilize-se. “Vai passar”, vocês disseram. Já passou, digo. Não façam a saudade da paz durar mais que uma músiquinha.

O medo não pode ser maior que a empolgação. E se der medo, abrace o medo, dê meia volta, chame pra dançar e construa dele, o desejo pela conquista. Somos todos patoteros sentimentais que gostam mais do que deveriam de você.

Hoje tem Parmera, macarronada e vinho.
Não inventem de colocar fracasso no cardápio.
Avanti.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.