Unidos. Fechados com vocês

Unidos. Fechados com vocês

Pedi que vocês deixassem tudo em campo. Falei que coração era o que a gente queria. Critiquei a frivolidade do estádio. Fui bastante severo quando cobrei sua falta de ódio. Agora, acabou de sair o gol de Dudu. E isso explica quase tudo. A minha comemoração exaltada mesmo com tudo decidido. A pancada com sangue na chuteira. Era disso que falávamos.

Não foi simples e nem haveria de ser. Não faria sentido vencer um mata-mata se ele não nos desse frio na barriga e dor de estômago. Muitos minutos de um primeiro tempo longo, nervoso, claudicante e incerto, mas aplicado. Dedicado. Ralando a bunda no chão, mesmo. O campo não ajudou, a calma não veio, a bola escapou, mas vocês todos foram lá e tentaram recuperar a bola. Deu? Nem sempre. Importa? Também não. A gente ajudou com a voz.

Não cobramos que os problemas se diluíssem em duas noites. Era superar, amassar, destruir a dificuldade na base do poder dessa roupa verde e branca aí. É preciso confiar sempre. O tempo todo. O Palmeiras começa a ganhar qualquer embate por ser quem é. E quem lá está, precisa entender essa questão. E quando Borja comemorou muito a ida do árbitro à cabine do VAR, o estádio foi junto. A gente foi junto. Sai do sofá. E celebramos a marcação do pênalti. Porque podemos. Devemos viver cada pequena conquista.

Rapha cobrou como se deve. Superando o jogo pouco feliz que fazia. Detalhe que se desfaz na potência do pênalti batido com categoria, mas com muita raiva. Determinado. Cego pela vontade de sentir o gol. A situação se definia ali, naquele momento. E mesmo assim, logo depois, estávamos todos com punhos cerrados comemorando o carrinho que sequer deteve a bola de sair. Mas que tentou. Que fez algo além. Que nos fez sentir que havia uma relação ali. Estávamos todos unidos pelo objetivo. Fosse como fosse.

O resto da noite foi de exorcismo. A volta de Gustavo, o reserva mais titular do Brasil, um gatilho poderoso na canhota de fogo, o gol do renascido 9 que agora vibra até com arbitragem. Que roubou mais bolas que qualquer outro do time. Do bom jogo de quem ficou marcado por perder gols demais. E o final do jejum do dono dessa geração que sofre, mas vence. Paulada pro fundo e final do azar.

Nas palavras dele, encerro as minhas, com vaga nas quartas da América e com a certeza que domingo não será só mais um dia. É o dia.

“Eles só cobram quem eles gostam. Só exigem porque sabem que podemos dar. E quando a gente corresponde, eles vêm junto e aí fica difícil não dar certo”.

Entreguem. A gente entregará junto. E vencerá junto.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.