Felipão e os Camarões: uma análise gastronômica dos “ingredientes” de 2012 e desse início de 2019.

Felipão e os Camarões: uma análise gastronômica dos “ingredientes” de 2012 e desse início de 2019.

O ano de 2012 acabara de começar, o Felipão entra atrito com o vice presidente Roberto Frizzo porque havia passado a ele uma lista com 12 nomes para o Palmeiras conversar e tentar acerto com alguns deles. Nessa altura do campeonato, no entanto, três nomes tinham sido contratados: Juninho, Román e Daniel Carvalho. Um trio de respeito que seria facilmente comparável a uma porção mista de Batata,Onion Rings e Polenta.

Pedia encarecidamente à diretoria os sonhados “camarões” que, nesse contexto, seriam jogadores que chegariam como titulares, resolveriam jogos, chamariam a responsabilidade e fariam do time uma bela Moqueca de Camarão com frutos do Mar. A realidade não era tão boa. Seus ingredientes eram praticamente um final de feira, Camarões mesmo eram: Marcos Assunção, Valdívia e Barcos; e o restante dos ingredientes eram como alho, cebola e salsinha; básicos, mas cumpriam sua função.

Ele sofreu, faltavam iguarias em seu estoque, se imaginava sentado em seu sofá delirando com os Camarões GG à sua disposição, mas na realidade, sabia que tinha em mãos apenas um PF de padaria.

Como um excelente Chef de Cozinha, ele aproveitou de seus insumos, e em uma manobra estrelada, venceu um título nacional. Fez praticamente uma Feijoada com Lentilha e seu ingrediente mais inesperado, o saudoso Betinho, azeitou o que viria a ser um dos títulos mais improváveis já conquistados.

Palmeiras2012

No fim, só os 3 camarões não deram conta de fazer um grande banquete com poucos ingredientes ao lado e a coisa toda resultou na queda da equipe para a série B. Azedou.

Seis anos depois, ele volta. Pega um elenco recheado de ingredientes nobres, lagostins e começa a assinar o cardápio que resulta com o título brasileiro.

O novo ano começa com o mesmo cardápio, um balcão recheado de frutos do mar da melhor qualidade, sobram ostras e lagostas ao seu uso, é só não errar o ponto de cozimento e partir quem sabe para conquistar uma estrela Michelin.

Poderia fazer um camarão na moranga,no capricho, cheio de cremosidade, talento, passes e tabela ou quem sabe se inspirar na fúria espanhola e partir para uma paella recheadíssima de frutos do mar trazendo todo o espírito do futebol de posse e movimentação.

Já pensou que lindo seria, uma bisque, um creme aveludado de camarões,uma receita clássica da alta gastronomia que vemos sempre em programas culinários, servida em um prato fundo com talheres especiais. Seria como ter um time que ama a bola e prefere tê-la com pompas e circunstâncias.

Mas nesse início, infelizmente, temos algo parecido com aqueles espetinhos de camarão repletos de areia vendidos pelos ambulantes na praia, um futebol que não é de encher os olhos, ligações diretas, pouca movimentação. Ou até mesmo aquelas empadas cheias de gordura que só de comer precisamos de um sal de frutas, assim como digerir apresentações que doem o estômago, que machucam.

Mas calma, podem acreditar muito no Chef Felipão, o restaurante só está aberto há quatro meses, sabemos que ingredientes refinados ele tem. Um sous chef que entende muito de defesa como o Paulo Turra, cozinheiros e estrutura perfeita para o restante da temporada, diferente daquele ano de 2012, onde pouco se esperava do time, no final de 2019 quem sabe, não comemoramos com muita lagosta ao forno com batatas e manteiga trufada, mais conquistas.

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    Joguei na SEP

    Falamos um pouco dos bons, e muito dos ruins. RELEMBRAR É SOFRER! Gostamos tanto de ironias quanto do Ricardo Bueno.