Joguem pelas crianças

Joguem pelas crianças

Vocês precisam dar o passe correto. Bater firme pro gol. Cruzar na cabeça do nove. Não errar na hora de encaixar. Vocês também precisam estender a mão, falar um frase carinhosa. Dar um abraço de esperança. Brincar de serem os heróis de quem os idolatra.

Quase sem querer, encantam crianças. Invadem os sonhos mais queridos dos pequenos. Fazem parte do mundo perfeito deles em que já são adultos e iguais a vocês. Usam nas costas o seu número e o seu nome. Fazem um gol na escolinha e berram com todo o coração que o gol é seu. Não dele, mas de quem ele ama tanto ao ponto de personificar o carinho.

Nem tem idade para entender o quanto vocês recebem pra jogar e que tudo isso é um grande negócio. Eles só veem o amor. Quando você beija a camisa, ele sente. Beija também. Sabe o apartamento em que mora? Vira estádio de futebol. Chuta a bolinha de plástico contra a porta do quarto e comemora como se estivesse no Allianz Parque lotado.

Quando as coisas se complicam e a alegria fica rara, o futebol é o subterfúgio. O seu carinho, cara, resolve a dor. Não para sempre, mas faz eterno o momento da sua presença. Alguns vários sobrevivem ao problema e vão te amar pra sempre. Os que forem pro plano de Deus, vão levar o carinho. Vão fazer o mesmo, mas de outra forma que não conhecemos.

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Cada gesto além das quatro linhas é muito mais bonito que o gol de letra. É humanidade. É tirar a capa do intocável e ser gente como a gente. Sua palavra custa pouco, mas vale tanto. O sorriso do Enzo. O abraço da Isabelly. A passagem em paz do Matheus. Eles são só crianças que ganham o mundo com sua amizade.

O jogo só vale.
A vida importa.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.