A Copa do Mundo vai permitir aos clubes brasileiros da Série A, neste ano, um semi-balanço de intertemporada. E, já com seis meses de Brasileiro e na segunda fase da Libertadores, podemos avaliar, com bom tempo de observação, o que está funcionando e o que precisa mudar no Palmeiras.

Verde no branco, segue abaixo a minha análise quanto ao elenco e ao treinador.

Técnico:

Roger Machado é um técnico inteligente, mas ainda não captou a essência do que é dirigir o Palmeiras. O clube, por suas características, demanda muita entrega emocional, pulso firme e vitórias em jogos-chave. O técnico do Palmeiras precisa demonstrar entrega.

Não estou entrando no mérito do certo e do errado. Para dar certo no Palmeiras, tem que ser assim. É só uma constatação. Com todos os seus erros e acertos, Vanderlei Luxemburgo e Felipão são ainda benquistos por muitos palmeirenses porque souberam ser e pensar como torcedores. Procuraram entender a essência do clube.    

Se Roger não entende porque é um grave problema vencer apenas um Dérbi dentre quatro disputados, seria interessante que procurasse fazê-lo.  

No campo, a falta de variação nas propostas de jogo é o que mais preocupa. Ganhando ou perdendo, insiste nas mesmas soluções. Falta-lhe ousadia e um pouco de caos em meio a tanto método. Tem possibilidade de conseguir sucesso, mas precisa ser um pouco menos da liturgia e um pouco mais prático: Nota 6.  

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Goleiros:

Jailson passa por fase técnica e emocional ruim. Está inseguro e apresentando falhas na saída de gol e até mesmo na reposição, onde era imbatível em comparação a Prass. Sua nota do semestre é 5,5.

Prass jogou pouco e foi muito bem. Deixa uma ótima impressão e deve botar dúvida na comissão técnica nos próximos dias. Sua nota é 7.

Weverton mostrou pouco, mas foi bem. Mesmo assim fica sem nota.

Laterais:

Marcos Rocha, como esperado, é muito melhor atacando do que defendendo. Nessa segunda função, deixa muitos espaços e é lento. Está claramente cansado. Fica com um 5,5.

Mayke, quando entrou, não foi mal. Mas nada que justificaria a reconquista da posição por ele no momento. Ainda. Nota 5,5.

Victor Luis foi o melhor dos quatro laterais no ano, mesmo tendo entregado de bandeja o escanteio que originou o gol do Flamengo na quarta-feira, dia 13. Nota 6,5.

Diogo Barbosa não conseguiu ainda tomar posse da posição. Às vezes, parece meio fora de sintonia nos jogos. Não me impressionou. Deu para ver que não é ruim. Não deu para ver que é bom. Nota 5,5.

Zagueiros:

Dracena, mesmo lento, é o mais seguro do setor. Erra menos que seus pares, mas já falhou em lances importantes no ano: 5,5.

Antônio Carlos ainda comete erros cruciais que parecem fruto de falta de experiência. Já está na hora de parar com isso. É alto, tem boa técnica e não é lento. Se deixar de entregar a paçoca em jogos decisivos, ajuda muito. Fica com um 5,5.

Thiago Martins também peca pelo nervosismo e, embora tenha falhado em menos lances decisivos, o faz com mais frequência: 5.

Luan jogou pouco e não foi nada mal. Mesmo com poucos minutos, devido aos problemas no setor, decidi avaliá-lo. Se entrar em forma, pode conquistar a vaga: 6

Emerson Santos e Pedrão ficam sem nota.

Volantes:

Felipe Melo é muito importante com a bola no pé e, quando o fôlego permite, faz bons desarmes. Mantém seu espaço por sua imponente presença em momentos tensos, embora, muitas vezes, ele mesmo os crie: 6,5

Bruno Henrique é o jogador mais regular do meio-campo. Tem boa técnica e bom preparo físico. Precisa corrigir a falta de atenção em alguns momentos: 6,5

Thiago Santos evoluiu demais, mas ainda é limitado ao combate e à destruição de jogadas. De qualquer forma, normalmente entrega o que se espera dele e leva um 6.

Jean jogou minutos, fica sem nota.

Meias:

Moisés entra nesse setor, mas poderia estar listado também entre os volantes. Se tivesse três anos e duas cirurgias a menos, estaria na Copa do Mundo. Joga em todas do setor e é capitão de fato e direito desse time. Um dos melhores do semestre: 7,5.

Lucas Lima precisa dizer a que veio. Não achou seu espaço. Não vibra, não veste a camisa integralmente, em que pesem seus problemas pessoais. Nem na bola parada, está conseguindo se destacar. Já demonstrou, no passado, ter qualidade. Tem um semestre para se reencontrar e mostrar serviço: 4,5.

Guerra, quando entra, embora erre passes por ansiedade, não vai mal. O problema é que pouco joga. Está sempre lesionado e, por isso, fora de ritmo físico. Leva um 5.   

Hyoran foi a descoberta do primeiro semestre. Rápido, chuta bem, entra na área para concluir. Ou seja, tudo que Lucas Lima deveria ter sido: 7.

Gustavo Scarpa: o Palmeiras precisa entrar no imbróglio e resolvê-lo. O time precisa do jogador, não dá mais para esperar pela Justiça, que já se mostrou alinhada aos interesses do Fluminense. Pelo pouco que mostrou, leva um 7.

Atacantes:

Dudu é a bola de segurança do Palmeiras. Oscilou um pouco mais do que deveria no semestre, mas é um dos homens mais confiáveis do elenco quando o assunto é bola. Já quando o assunto é controle emocional, precisa dar uma segurada: 6,5.

Keno é um monstro como driblador pela ponta e faz seus gols. Uma pena que não consiga dar um andamento mais tático aos lances de que participa, de modo que, quando não está em dia inspirado, acaba contribuindo pouco com o time. Mesmo assim, um dos destaques: 7.

Willian é o grande nome do Palmeiras em 2018. Raçudo, rápido, inteligente, bom finalizador, bom de grupo. Se tivesse um marketing pessoal mais forte, poderia estar facilmente em um clube médio da Europa, como um Sevilla, uma Fiorentina ou West Ham. Leva um 8,5 com louvor.

Borja está aí ara fazer gols e os fez. Não é um tipo de jogador que tem muito espaço no futebol atual, mas tem o seu valor. Não vale o que foi pago por sua contratação e não tem culpa disso: 6,5.

Deyverson: eu nem acho que seja tão ruim como a maior parte da torcida avalia, mas não adianta está marcado e fadado ao insucesso por aqui: 5

Arthur jogou muito pouco, fica sem nota.   

Assim, meu time ideal do primeiro semestre ficou:

Prass, Marcos Rocha, Antônio Carlos, Dracena e Victor Luis; Felipe Melo, Bruno Henrique e Moisés (C); Dudu, Willian e Keno.  

Qual seria o seu?

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Diego Iwata
Diego Iwata Lima, vulgo Diego Marada, é palmeirense da Pompeia, criado nas alamedas do clube e arquibancadas do Palestra Itália. Jornalista com passagem por Folha de S. Paulo, Diário de S. Paulo e Gazeta Mercantil, trabalhou na cobertura de duas Copas do Mundo, Olimpíada e Super Bowl. Seu primeiro ídolo alviverde foi Careca Bianchezi. Assina também os blog Società (ESPN FC), e Bonasera, Bonasera.