
O empate por 0 a 0 entre Palmeiras e Grêmio não pode ser explicado por uma atuação ruim do Alviverde. A equipe produziu o suficiente para vencer, controlou diferentes momentos da partida e encontrou maneiras variadas de chegar à área adversária.
O problema apareceu na última ação. O Verdão finalizou 29 vezes, acertou duas bolas na trave e obrigou Weverton a realizar ao menos quatro intervenções decisivas. Depois de 101 minutos de futebol, entretanto, saiu da Arena do Grêmio com somente um ponto.
A atuação oferece sinais positivos para Abel Ferreira antes da parte mais importante da temporada. Ao mesmo tempo, deixa um alerta conhecido: criar mais que o adversário não garante vitória quando o aproveitamento permanece baixo.
Palmeiras encontra diferentes caminhos para atacar
Com Abel Ferreira suspenso, João Martins abandonou a formação com três zagueiros de origem e escalou Gustavo Gómez e Alexander Barboza no centro da defesa. Giay e Piquerez atuaram pelas laterais, enquanto Marlon Freitas, Lucas Evangelista e Andreas Pereira formaram o meio-campo.
Na frente, Jhon Arias teve liberdade para circular, enquanto Flaco López e Vitor Roque ocuparam a última linha do Grêmio. A distribuição dos jogadores permitiu ao Palmeiras atacar tanto pelos lados quanto pelo corredor central.
Não foi uma equipe dependente apenas de cruzamentos ou de bolas longas. O Verdão conseguiu acelerar com Arias, aproximou Andreas dos atacantes, explorou a profundidade dos laterais e colocou jogadores dentro da área.
As primeiras chances mostraram essa variedade. Marlon Freitas acertou o travessão em finalização de fora da área. Vitor Roque também parou na trave depois de uma construção ofensiva, enquanto Gustavo Gómez levou perigo pelo alto.
O Palmeiras chegou ao intervalo sem marcar, mas já havia encontrado os espaços necessários para vencer.
Volume aumenta, mas gol não aparece
O cenário permaneceu semelhante na segunda etapa. O Palmeiras continuou no campo ofensivo, recuperou a bola rapidamente em diversos momentos e obrigou o Grêmio a defender próximo da própria área.
Vitor Roque voltou a ameaçar em cabeçada defendida por Weverton. Andreas Pereira encontrou espaço para finalizar de dentro da área, mas também parou no goleiro. Em outra oportunidade, Wallace salvou o Grêmio em cima da linha.
As alterações mantiveram a pressão. Maurício, Felipe Anderson, Sosa, Khellven e Arthur deram energia à equipe diante de um adversário cada vez mais recuado.
A melhor chance dos acréscimos resumiu a partida. O Palmeiras conseguiu entrar na área e finalizar em condição clara, mas Weverton saiu nos pés do ataque. No rebote, o goleiro voltou a aparecer e impediu a conclusão de Sosa.
O Verdão encerrou o confronto com 72% da posse de bola, 29 finalizações e 13 chutes na direção do gol. Nenhum deles terminou na rede.
Weverton explica parte do resultado — mas não tudo
A atuação de Weverton precisa ser considerada. O ex-goleiro do Palmeiras teve uma das melhores apresentações individuais da partida e defendeu bolas de diferentes níveis de dificuldade.
Ainda assim, atribuir o resultado exclusivamente ao camisa 1 do Grêmio esconderia a responsabilidade palmeirense. Nem todas as 29 finalizações exigiram grandes intervenções, e o volume poderia ter sido transformado em oportunidades ainda mais limpas com decisões melhores no último passe.
Em alguns lances, o Palmeiras acelerou quando poderia manter a construção. Em outros, optou pelo chute mesmo com companheiros mais bem posicionados. Também houve cruzamentos executados sem a precisão necessária para aproveitar a presença de Flaco López, Vitor Roque e Gómez na área.
Weverton foi o protagonista, mas o Palmeiras ajudou a construir o próprio desperdício.
Grêmio mostra risco das transições
O domínio também não significa que o Palmeiras tenha realizado uma partida perfeita. Ao empurrar laterais e meio-campistas para o ataque, a equipe concedeu espaços para os contra-ataques do Grêmio.
Carlos Miguel precisou trabalhar no fim do primeiro tempo em tentativas de Pavón e Gustavo Martins. Em uma delas, o goleiro desviou a bola para o travessão.
O Grêmio criou menos, mas encontrou campo quando conseguiu escapar da pressão inicial. Contra adversários com maior capacidade técnica, a exposição poderá produzir consequências mais graves.
O desafio de Abel será preservar o volume ofensivo apresentado em Porto Alegre sem deixar Gómez e Barboza vulneráveis em situações de campo aberto.
Data Fifa vira período importante para correções
O resultado levou o Palmeiras aos 57 pontos e impediu a equipe de assumir provisoriamente a liderança do Brasileirão. Mais do que a posição momentânea, porém, a partida deixa uma tarefa clara para o período sem jogos.
O time não precisa reconstruir o sistema ofensivo a partir do zero. A estrutura funcionou, a equipe avançou com diferentes jogadores e criou chances suficientes. A correção está na qualidade das decisões e na eficiência diante do gol.
O próximo jogo do Palmeiras será contra o Bahia, no dia 8 de outubro, no Nubank Parque. Três dias depois, o Verdão enfrentará o Corinthians antes de iniciar a semifinal da Libertadores contra o Fluminense.
Na fase decisiva, produzir 29 finalizações pode não ser suficiente. O Palmeiras precisará transformar domínio em vantagem no placar.
Perguntas frequentes
Quantas vezes o Palmeiras finalizou contra o Grêmio?
O Palmeiras terminou a partida com 29 finalizações, sendo 13 na direção do gol.
Por que o Palmeiras não venceu o Grêmio?
O Verdão acertou duas bolas na trave, desperdiçou oportunidades e encontrou Weverton em uma atuação decisiva.
Quando o Palmeiras volta a jogar?
O Palmeiras enfrentará o Bahia no dia 8 de outubro, às 21h30, no Nubank Parque.
