
Ela voltou! Na tarde dessa sexta-feira (9), o Palmeiras apresentou oficialmente a contratação de Bia Zaneratto, a segunda maior artilheira da história do time feminino do Verdão. Campeão da Libertadores pelo Maior Campeão do Brasil, a Imperatriz está de volta ao futebol brasileiro após anos nos Estados Unidos.
‘Uma das maiores atletas da história do futebol feminino do Brasil’ – foi assim que Leila Pereira definiu a Imperatriz durante sua apresentação.
Fala, Imperatriz!
Nível alcançado na carreira, retorno ao futebol brasileiro
— É uma felicidade ver essa sala cheia de mulheres e homens para falarmos de futebol feminino. Ter toda a minha família aqui é um privilégio. É de suma importância, como a Leila citou, ter jogadoras importantes atuando no Brasil. Eu acho que tive uma carreira longa fora do Brasil: joguei no Santos e em alguns clubes aqui, comecei na Ferroviária, depois fiquei seis anos na Coreia, dois anos na China, tive pequenas passagens aqui no Palmeiras, e agora dois anos nos Estados Unidos. E agora voltar para casa é aquele conforto, aconchego. Vivo um grande momento. Volto após ser nomeada como uma das grandes da liga. Tenho ambição de conquistar grandes coisas pelo Palmeiras, calendário cheio. Vamos buscar ganhar todos os campeonatos. Vou me esforçar para continuar fazendo parte da Seleção Brasileira.
Chegada ao Palmeiras e foco na Copa do Mundo
— Olha, eu acho que são várias coisas que unem minha volta ao Brasil e ao Palmeiras. Lógico que pesa a minha família, pela minha longa carreira que estive distante um tempo, e sou muito ligada a eles. Na parte profissional, passei por várias ligas, estava agora em uma das mais fortes, e vejo cada vez mais o futebol brasileiro crescendo. Até a Copa do Mundo temos muito a crescer. E penso que, cada vez mais, com jogadoras como eu, os olhares vão ser mais atraídos ao futebol brasileiro. Espero que esse meu retorno traga mais público. Sei que não é só a Bia, mas o Palmeiras já vem nos últimos anos ganhando mesmo sem ter a Bia. Mas eu já venho com uma equipe preparada para fazermos o nosso melhor dentro de campo. Acho que a Rosana somou muito com a equipe.
Relação com Rosana, agora treinadora
— Eu acho que a expectativa de jogar com ela e agora ser treinada por ela é muito boa. Eu lembro da Rosana jogadora, do estilo que tinha, de ser muito vencedora, e chega ao Palmeiras no mesmo nível. Jogo agressivo, jogo mais em função, sem ser tão posicional. E eu gosto de ser mais livre, mais solta. Vou tentar aproveitar o melhor, e sei que ela vai tirar o meu melhor.
Duração de contrato e Palmeiras o melhor time do Brasil?
— O tempo de contrato a gente deixou em aberto, não vamos falar muito sobre isso. Em relação ao Corinthians, foi uma hegemonia, mas tudo não vai mudar da noite para o dia, é um trabalho de construção. O Palmeiras vem fazendo um grande trabalho, é um processo. Tem se falado que o Palmeiras é o time a ser batido, mas estamos com o pé no chão. Não vamos nos colocar em um lugar que ainda não é nosso.
Momento difícil no futebol feminino
— A questão da estrutura: o Palmeiras vem crescendo e eu pude acompanhar. Estive em 2021, foi pouco tempo, mas a gente já começa a entender o que era a realidade do futebol feminino no Brasil, e eu vi que a cada ano as melhorias foram acontecendo. E a gente vê hoje o momento em que se encontra o futebol feminino do Palmeiras, tendo uma proximidade com o clube. Às vezes a gente precisa conquistar para termos, não concordo com essa ordem, mas às vezes é um caminho inverso. Mesmo assim, o Palmeiras vem construindo isso, conquistando títulos e uma estrutura.
— Acho que as duas coisas caminham juntas, as coisas fluem — mas às vezes isso não acontece. Em relação ao Fortaleza e ao Real Brasília, que quiseram encerrar o futebol feminino, isso geralmente acontece: o clube cai e decide encerrar o futebol feminino. No fim das contas, quem sofre é o futebol feminino, e não deveria ser assim. Deveriam existir os dois e cada um conseguir seguir com seus próprios passos. Mas espero que, em breve, o Fortaleza possa voltar a investir e que as meninas tenham oportunidades em outros clubes. Como em todas as equipes do futebol feminino, algumas estão muito bem em estrutura e outras com menos. Que a gente possa ajudar todas as equipes com uma estrutura mais equilibrada.
Grandeza no Palmeiras e empolgação da torcida
Pergunta feita pela jornalista Bárbara Maia, do NOSSO PALESTRA, na coletiva de apresentação de Bia Zaneratto.
— Quando eu saí daqui, eu falei na minha despedida que eu tinha certeza de que deixei algo da Bia no clube, mas que o Palmeiras também marcou a minha vida. E é uma fala muito verdadeira. Esse carinho que eu sempre tive, esse respeito… eu acho que, vestindo essa camisa, me entregando de corpo e alma, isso marca o torcedor. Às vezes não vai ter gol, mas a vontade que vou deixar dentro de campo vai fazer a diferença. Então acho que esse é o espírito. Talvez eu não tenha dimensão do carinho que conquistei, mas deu para ver um pouco nesse meu retorno como é legal ver o carinho de todo mundo. Não tem feminino e masculino nesse momento: tudo é Palmeiras, tudo é o retorno da Bia — mas acho que é o retorno de uma identidade. Eu agradeço muito, agradeço à Leila pelo esforço, à Sportingbet, nosso patrocinador, e a todas as pessoas: o Alberto, que batalhou muito para isso acontecer. Só posso dizer que vou me entregar ao máximo.