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All-in por títulos: decisão contra Cerro Porteño também pesa nas contas do Palmeiras

Verdão segurou jogadores importantes na tentativa de conquistar os principais títulos da temporada, mas fechou o primeiro semestre com déficit de R$ 124,1 milhões

O Palmeiras entra em campo na quarta-feira (19), no Paraguai, diante do Cerro Porteño, em uma das partidas mais importantes da temporada. A classificação às quartas de final da Libertadores representa, evidentemente, um objetivo esportivo. Mas a decisão também terá impacto sobre o planejamento financeiro do clube para 2026.

A partida acontece em um momento delicado para as contas do Palmeiras. O clube fechou o primeiro semestre com déficit de R$ 124,1 milhões, resultado de receitas abaixo do orçamento e de uma estrutura de custos elevada. O futebol profissional, isoladamente, apresentou déficit de aproximadamente R$ 150 milhões, com R$ 410 milhões em receitas e R$ 560 milhões em despesas entre janeiro e junho.

A escolha de preservar o elenco

Para 2026, o Palmeiras optou por priorizar a manutenção de jogadores considerados importantes para o projeto esportivo. A estratégia significou aceitar uma arrecadação menor com transferências no primeiro semestre em troca da tentativa de manter um elenco competitivo para disputar títulos.

O clube havia previsto R$ 200 milhões em receitas com negociações de atletas até junho, mas realizou apenas R$ 50 milhões no período.

No orçamento anual, a expectativa é ainda mais agressiva: o Palmeiras projetou aproximadamente R$ 400 milhões em vendas de jogadores ao longo de 2026. No primeiro trimestre, a projeção já aparecia como o principal ponto de distância entre o resultado previsto e o realizado.

A lógica da diretoria foi esportiva: manter os principais jogadores disponíveis, aumentar a competitividade do time e tentar converter o investimento em títulos e premiações.

As metas esportivas foram cumpridas — até aqui

Dentro de campo, entretanto, o planejamento começou a entregar resultados.

O Palmeiras conquistou o Campeonato Paulista e avançou nas competições de mata-mata. No primeiro semestre, também terminou na liderança do Campeonato Brasileiro e chegou às oitavas de final da Copa do Brasil e da Libertadores.

O ponto central é que o clube ainda não transformou todo esse desempenho esportivo em receitas suficientes para equilibrar a estratégia financeira.

A Libertadores aparece, nesse contexto, como uma das principais oportunidades restantes.

Quanto mais longe o Palmeiras avançar, maiores serão as premiações e as receitas associadas à competição. Uma eliminação diante do Cerro Porteño encerra imediatamente essa possibilidade e concentra ainda mais a pressão sobre as demais competições.

O risco de a conta ficar para dezembro

O Palmeiras ainda tem meses para alterar o cenário.

O segundo semestre concentra justamente as fases decisivas da Libertadores, da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro. Há, portanto, possibilidade de aumento das receitas com premiações, bilheteria e demais fontes ligadas ao desempenho esportivo.

Mas existe uma segunda alternativa: o mercado.

Caso as receitas esportivas não sejam suficientes para compensar o déficit acumulado e a distância em relação ao orçamento, o clube poderá recorrer à negociação de jogadores no fim do ano.

A diretoria escolheu, durante boa parte de 2026, não transformar imediatamente os principais jogadores em receita. A aposta foi mantê-los para disputar títulos.

Por isso, uma eventual venda no fim do ano poderia funcionar como mecanismo de ajuste financeiro depois de uma temporada em que o clube tentou maximizar o resultado esportivo.