Nove meses desde que ele veio, viu e venceu

Naquele dia 4, não prevíamos, nem o maior dos otimistas, que chegava um alguém tão Palmeiras assim. Em quase uma hora de uma coletiva sem plateia, o forasteiro sabia de tudo. Fraquezas, glórias, costumes, cornetas, cânticos, rivais, inimigos íntimos, amigos que quase ninguém sabe. Ele dominava os pormenores de um clube de dimensões e esquisitices globais.

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O fascínio pela imensa habilidade discursiva foi generalizado, quase pandêmico. Em campo, os resultados vieram breve e a impressão de paixão se induziu ao casamento quase imediato. Abel conquistou muito em pouco tempo, mas o tempo reservava pra ele, e pra todos os que torcem, contornos épicos de uma trajetória incomum. Vir, ver e vencer em meia dúzia de meses é mais do que improvável, é, musicalmente, impossível.

Logo ele, bom nas palavras e ainda cru de currículo, que sabe muito como cativar, mas ainda não sabia como sustentar nos braços uma taça como treinador. O desafio era erguer a taça mais sonhada por uma torcida que não se dimensiona tamanha é sua extensão e, mais que isso, sua paixão inconsequente e desmedida – mesmo que ele não pudesse ver.

Abel sentia, ouvia, lia, mas nunca viu. Foi experimentar um sabor discreto, mas docílimo quando viveu o maior dia de sua vida, quando seus olhos viam, mas não compreendiam. Ainda não deve ter assimilado a eternidade daquele momento e como Abel Ferreira mudava de significado para 20 milhões de pessoas pra todo o sempre. Ele nunca terá a exata noção.

Que o tempo permita a Abel ver o microcosmos de 40 mil vozes transmitindo com muito barulho, amor e paixão o que seus corações sentem há 9 meses. Não é esse texto que vai ser capaz de explicar, mas quem lê, que viveu, sabe bem do que se trata. A gestação de um treinador que nasceu pro futebol como lenda do Maior Campeão do Brasil.

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